Amazonas entra na lista estratégica da Petrobras com investimentos bilionários na indústria naval

Petrobras escolhe Manaus para construção de embarcações e inclui o Amazonas em plano nacional de R$ 2,8 bilhões para fortalecimento de portos e logística
Foto: Instagram / @petrobras

O Amazonas passou a integrar oficialmente a lista dos estados estratégicos escolhidos pela Petrobras para investimentos na indústria naval e logística portuária do país. A estatal assinou contratos que somam R$ 2,8 bilhões para a construção de navios e embarcações em três estados brasileiros — Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina — reforçando o papel de Manaus como polo logístico e industrial da Região Norte.

Os contratos, assinados nesta terça-feira (20), fazem parte do plano de retomada da indústria naval brasileira e incluem a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças. A cerimônia ocorreu em Rio Grande (RS) e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, parlamentares e representantes da Petrobras e da Transpetro.

As embarcações foram encomendadas pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte de petróleo, derivados e gás. No Amazonas, o investimento será direcionado ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus, que ficará responsável pela construção das 18 barcaças, com aporte de R$ 295 milhões. As barcaças serão utilizadas no transporte de grandes volumes de cargas em contêineres, fortalecendo a logística fluvial da região amazônica.

No Rio Grande do Sul, o estaleiro Rio Grande Ecovix irá construir os cinco navios gaseiros, com contrato de R$ 2,2 bilhões, enquanto em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes, será responsável pela fabricação de 18 empurradores, ao custo de R$ 325 milhões.

Com as novas encomendas, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 embarcações, ampliando a capacidade de transporte de GLP e reduzindo a dependência de navios afretados. Segundo a Petrobras, os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, com potencial de redução de 30% nas emissões de gases de efeito estufa, além de capacidade para operar em portos eletrificados, seguindo padrões internacionais de sustentabilidade.

Portos de Manaus: eixo estratégico para o Brasil e a América Latina

Manaus abriga alguns dos principais portos fluviais do país, como o Porto de Manaus, o Super Terminais, o Chibatão e o Porto da Ceasa, que juntos formam um dos maiores complexos logísticos da América Latina em movimentação de cargas por vias interiores. Esses portos conectam o Polo Industrial de Manaus aos mercados nacional e internacional, funcionando como porta de entrada e saída de mercadorias para países da América do Sul, Caribe e América Central. A escolha da Petrobras reforça o papel do Amazonas como hub logístico estratégico, essencial para a integração regional, o desenvolvimento econômico e a soberania logística do Brasil na Amazônia.

Os contratos fazem parte do Programa Mar Aberto, do governo federal, que prevê R$ 32 bilhões em investimentos até 2030 para impulsionar a indústria naval, incluindo a construção de navios de cabotagem, barcaças, empurradores e o afretamento de embarcações de apoio à exploração e produção de petróleo e gás.

Segundo o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, a retomada da indústria naval só foi possível graças a políticas industriais específicas, como a política de conteúdo local, o uso do Fundo da Marinha Mercante e incentivos fiscais. Já a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o setor naval saiu de 18 mil empregos em 2022 para cerca de 50 mil no fim de 2025, com expectativa de alcançar novamente 80 mil postos de trabalho nos próximos anos.

No estaleiro de Rio Grande, a estimativa é de geração de 7 mil empregos diretos e indiretos, enquanto no Amazonas a expectativa é de fortalecimento da cadeia naval, logística e industrial, com impacto direto na economia regional e na geração de empregos qualificados.

 

 

Com informações da Agência Brasil*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus