Ancestralidade e inovação marcam apresentação da Guerreiros Mura em Manacapuru

A arena do Parque do Ingá, em Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus, ganhou cores, movimentos e referências à ancestralidade indígena durante a segunda noite do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru, no último sábado (29).

Representando a Ciranda Guerreiros Mura, os brincantes apresentaram o tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apurica”, conduzindo o público por uma narrativa inspirada na cultura ancestral do povo Apurinã.

A apresentação colocou a agremiação na disputa pelo título deste ano e combinou elementos tradicionais da ciranda com recursos tecnológicos, novas construções coreográficas e alegorias produzidas para acompanhar o desenvolvimento do enredo.

Coreografias e tecnologia transformam a arena

Durante o espetáculo, o cordão de cirandeiros ocupou diferentes espaços da arena e formou desenhos coreográficos que acompanharam as mudanças da narrativa.

Os movimentos combinaram referências tribais com passos inspirados no balé. As alegorias também foram integradas à coreografia, contribuindo para modificar o cenário ao longo da apresentação.

Efeitos tecnológicos, iluminação, acabamento das estruturas e cores vibrantes foram utilizados para destacar personagens e momentos específicos do enredo.

Os próprios brincantes passaram a fazer parte da composição visual do espetáculo, acompanhando as transformações apresentadas pelas alegorias e pelos demais elementos cênicos.

Emoção toma conta da arquibancada

Nas arquibancadas, a Torcida Nação Guerreirense acompanhou as evoluções do cordão e incentivou os brincantes durante a apresentação.

Para os integrantes da ciranda, a entrada na arena representou o resultado de meses de ensaios e preparação.

Despedida após 23 anos

Além da disputa pelo título, a apresentação teve um significado especial para Cristiane Matos. Depois de 23 anos participando da Guerreiros Mura, ela entrou na arena com a intenção de encerrar sua trajetória no cordão de cirandeiros.

Antes do espetáculo, a brincante se emocionou ao lembrar da relação construída com a agremiação desde a infância.

Tradicional encerra festival neste domingo

Depois da apresentação da Flor Matizada na sexta-feira (28) e da Guerreiros Mura no sábado (29), a Ciranda Tradicional encerra neste domingo (30) as apresentações do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru.

A agremiação levará para a arena do Parque do Ingá o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”. O espetáculo propõe uma reflexão sobre a destruição ambiental na Amazônia e a resistência dos povos que atuam na defesa da floresta.

A disputa pelo título ficará entre Guerreiros Mura e Tradicional. A Flor Matizada decidiu não concorrer à premiação após a morte do artista Jone Salgado, integrante da equipe responsável pela montagem das alegorias.

A apuração das notas está prevista para esta segunda-feira (31).

Festival movimenta cultura de Manacapuru

Além da disputa entre as agremiações, o Festival de Cirandas reúne música, dança, artes cênicas e produção alegórica, envolvendo artistas, brincantes e diversos profissionais ao longo do ano.

O evento também contribui para a preservação da tradição cirandeira e reforça a identidade cultural de Manacapuru no calendário de manifestações culturais do Amazonas.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Divulgação