Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra em uma nova fase e passa a vigorar de forma provisória a partir de 1º de maio de 2026. Juntos, os blocos representam um mercado de US$ 22,4 trilhões e cerca de 718 milhões de consumidores.
A entrada em vigor da parte comercial do tratado marca a consolidação de um dos maiores acordos já firmados pelo Brasil e deve impactar diretamente setores estratégicos da economia, como indústria e agronegócio. A medida prevê redução de tarifas, ampliação de acesso a mercados e maior integração entre as cadeias produtivas.
Criado em 1991, o Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai com o objetivo de facilitar o comércio regional. Já a União Europeia, formalizada em 1992, é considerada o bloco mais integrado do mundo, com regras comuns e forte presença no comércio internacional.
As negociações entre os dois blocos começaram oficialmente em 1999, mas enfrentaram períodos de paralisação, principalmente por divergências em temas como agricultura e abertura de mercados. O acordo técnico foi concluído em 2019, revisado nos anos seguintes e aprovado em 2026, permitindo o início da vigência parcial.
Na prática, o tratado estabelece três frentes principais: produtos com tarifa zerada imediata, como café e frutas; redução gradual de impostos para setores industriais, como automóveis e máquinas; e criação de cotas para produtos considerados sensíveis, como carne bovina, açúcar e lácteos.
O modelo também prevê mecanismos de salvaguarda, que permitem aos países suspender benefícios temporariamente em caso de impactos negativos em setores específicos.
Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, o acordo representa uma oportunidade de ampliar a inserção internacional do Brasil e atrair investimentos. Já especialistas apontam que os efeitos podem variar entre setores.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a abertura de mercado pode facilitar o acesso a insumos e tecnologias europeias, reduzindo custos e aumentando a competitividade. Por outro lado, há avaliações de que a indústria nacional precisará acelerar processos de modernização para competir com produtos europeus.
No agronegócio, a expectativa é de ganhos imediatos em segmentos como café e frutas, que terão acesso ampliado ao mercado europeu sem tarifas. Em contrapartida, setores como lácteos e vinhos devem enfrentar maior concorrência externa.
A implementação completa do acordo ainda depende da aprovação do texto integral por todos os países da União Europeia. Enquanto isso, a parte comercial passa a vigorar de forma provisória, permitindo a aplicação gradual das regras já acordadas.
Com Informações da Agência Senado
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






