Após caso Orelha, cão comunitário é baleado por PM no RS; outros dois episódios são investigados

Ocorrências no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná envolvem violência contra cães e estão sob apuração das polícias civis e corregedorias

Um cão comunitário foi atingido por um disparo de bala de borracha durante uma abordagem da Brigada Militar na noite de terça-feira (27), no bairro Barrinha, em Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O caso ocorre poucos dias após a repercussão nacional da morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC), e da morte do cão Abacate, em Toledo (PR). As três ocorrências estão sob investigação.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o animal, conhecido como Negão, é atingido nas patas traseiras e passa a mancar. Após o disparo, o cão foi resgatado pela ONG Campo Bom Pra Cachorro e levado para atendimento veterinário. Segundo a vereadora Kayanne Braga, fundadora da ONG, exames de raio-x não apontaram fraturas. O animal segue internado para observação e tratamento.

Moradores da região informaram que o cão vive há anos no local e é cuidado pela comunidade. Testemunhas relataram que o animal teria avançado contra um policial, mas esse comportamento não aparece nas imagens divulgadas.

 

Em nota, a Brigada Militar afirmou que o cão teria investido contra a guarnição e ferido uma policial na perna direita. Segundo a corporação, o disparo com munição não letal foi efetuado para conter a investida.

A Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul informou que determinou a abertura imediata de investigação para apurar as circunstâncias da abordagem e a conduta dos três policiais envolvidos. A apuração ficará sob responsabilidade da Corregedoria-Geral da Brigada Militar.

Caso Orelha, em Santa Catarina

Em Florianópolis, o cão comunitário Orelha morreu após sofrer agressões no início de janeiro. A Polícia Civil de Santa Catarina apura o envolvimento de adolescentes no caso. O animal foi encontrado ferido, levado para atendimento veterinário e morreu no dia seguinte.

Segundo a polícia, foram abertos dois procedimentos: um para apurar os maus-tratos que resultaram na morte do cão e outro para investigar a suspeita de coação de testemunhas por familiares dos adolescentes investigados. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, com recolhimento de celulares e computadores. Por envolver menores de idade, os nomes dos suspeitos não são divulgados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O caso é acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio das promotorias da Infância e Juventude e do Meio Ambiente.

Caso Abacate, no Paraná

Na mesma semana, em Toledo, no oeste do Paraná, o cão comunitário Abacate foi encontrado baleado e levado a um hospital veterinário. O animal passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos. A bala perfurou o intestino e também comprometeu os rins, segundo a equipe veterinária, o que causou contaminação abdominal.

Moradores encontraram o cachorro ferido e o levaram a uma clínica particular, onde exames confirmaram que o projétil atravessou o corpo e provocou múltiplas lesões internas. Diante da gravidade do quadro, Abacate foi submetido a um procedimento de emergência, mas morreu durante a cirurgia.

A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para identificar o autor do disparo. O caso é tratado como maus-tratos com resultado morte, conforme a legislação ambiental. Abacate vivia de forma comunitária no bairro Tocantins e era cuidado por moradores da região.

Cão orelha e Abacate - Foto: Divulgação
Cão orelha e Abacate – Foto: Divulgação

Investigações em andamento

As três ocorrências seguem sob apuração nas respectivas esferas estaduais. No Rio Grande do Sul, a Corregedoria da Brigada Militar investiga a atuação policial no caso de Campo Bom. Em Santa Catarina e no Paraná, as polícias civis apuram responsabilidades criminais.

Autoridades informaram que os procedimentos buscam esclarecer os fatos e definir eventuais responsabilizações administrativas e penais.


 

Com informações da CNN, Correio do Povo e Metrópoles*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus