Apreensão de canetas emagrecedoras contrabandeadas dobra no Brasil, aponta Polícia Federal

Registros de apreensões cresceram nos últimos dois anos, com entrada de medicamentos pela fronteira com o Paraguai; Paraná concentra a maior parte dos casos
Foto: Alexandre Cassiano

 

As apreensões de medicamentos usados para emagrecimento que entram ilegalmente no Brasil cresceram nos últimos dois anos, segundo dados da Polícia Federal (PF) obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Os registros envolvem produtos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, além de medicamentos com tirzepatida.

De acordo com o levantamento, as apreensões passaram de 9 ocorrências em 2024 para 335 em 2025. Em 2026, até meados de junho, já foram registradas 758 apreensões, mais que o dobro de todo o ano anterior.

No comparativo entre janeiro e meados de junho, o número saltou de 37 ocorrências para 758, crescimento de cerca de 20 vezes em um ano. Até 2023, não havia registros desse tipo nos sistemas consultados pela corporação.

Operação apreendeu carga avaliada em R$ 2 milhões

Um dos casos ocorreu em 16 de abril, quando policiais interceptaram um veículo após perseguição na rodovia PR-445, próximo ao município de Cambé (PR).

No carro foram encontrados 880 celulares, 55 notebooks, cerca de 7 mil ampolas de tirzepatida e ampolas de anabolizantes. Segundo a Receita Federal, a carga foi avaliada em R$ 2 milhões.

O motorista afirmou, em depoimento à Justiça Federal, que receberia R$ 5 mil para transportar a carga de Medianeira (PR) até São Paulo.

Fronteira com o Paraguai concentra entrada dos medicamentos

Os dados da Polícia Federal indicam que boa parte dos medicamentos entra no Brasil pelo Paraná e pelo Mato Grosso do Sul, após sair do Paraguai.

O Paraná concentra 37% das ocorrências e mais da metade das unidades apreendidas. Somado ao Mato Grosso do Sul, o corredor de fronteira responde por quase 50% dos casos e 60% do volume retido pelas autoridades.

Segundo a PF, a rota utilizada é a mesma empregada por organizações criminosas para o transporte de outras mercadorias ilegais, passando pela região da Tríplice Fronteira, em Foz do Iguaçu.

Além do transporte terrestre, os medicamentos também chegam ao país por meio de voos e remessas postais internacionais. Entre as estratégias utilizadas pelos grupos criminosos estão o fracionamento das cargas, a ocultação dos produtos em veículos e o uso de “formiguinhas”, quando várias pessoas transportam pequenas quantidades para reduzir o risco de apreensão.

Operação nacional combate comércio ilegal

Em abril, a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizaram uma operação para combater a importação irregular, a produção clandestina, a falsificação e a comercialização ilegal de canetas emagrecedoras.

Foram cumpridos 45 mandados de busca, além de ações de fiscalização em 12 estados.

Entre 2024 e meados de 2026, aproximadamente 175 mil unidades foram apreendidas. O total inclui canetas aplicadoras, ampolas, frascos e outros recipientes.

Levantamento divulgado anteriormente apontava que as apreensões realizadas entre 2024 e fevereiro de 2026 representavam cerca de R$ 51 milhões em mercadorias.

Anvisa registra aumento nas notificações de efeitos adversos

O crescimento das apreensões ocorre paralelamente ao aumento das notificações de efeitos adversos registradas pela Anvisa.

Os registros passaram de 257 notificações em 2023 para 449 em 2024. Em 2025, o número chegou a 1.122.

Segundo a agência, não há evidências que relacionem diretamente esse aumento ao crescimento da circulação de medicamentos contrabandeados.

Custo elevado impulsiona procura por medicamentos no Paraguai

Desde janeiro, a Anvisa publicou dez medidas proibindo a importação de produtos irregulares à base de GLP-1.

Mesmo assim, brasileiros continuam buscando medicamentos no Paraguai. Em alguns casos, a importação foi autorizada pela Justiça após consumidores alegarem o alto custo dos produtos comercializados no Brasil.

Nas redes sociais, influenciadores e farmácias paraguaias divulgam orientações para compra e transporte dos medicamentos até o Brasil, além de anúncios oferecendo entrega para consumidores brasileiros.

Entre os produtos anunciados estão Tirzec e Lipoland, produzidos com o mesmo princípio ativo do Mounjaro, mas cuja importação foi proibida pela Anvisa.


Com informações da Agência Brasil*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus