O Bosque da Ciência, mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, poderá ser reconhecido oficialmente como patrimônio ambiental, científico e educacional do Estado do Amazonas. A proposta tramita na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e foi anunciada durante sessão solene em homenagem aos 31 anos do espaço, realizada na última terça-feira (14).
De autoria do deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), o projeto de lei busca consolidar o reconhecimento institucional de um dos principais espaços de integração entre ciência, educação e preservação ambiental na região Norte.
Ciência, educação e política pública
Criado em 1995, o Bosque da Ciência é considerado o primeiro parque verde urbano de Manaus, reunindo em um único espaço atividades de lazer, educação ambiental e pesquisa científica. Com quase 13 hectares de área — equivalente a 13 campos de futebol — o local integra a Área de Proteção Ambiental (APA Manaós) e funciona como uma vitrine da biodiversidade amazônica.
A proposta legislativa reforça esse papel ao classificar o Bosque como um “patrimônio vivo”, destacando sua contribuição para a difusão do conhecimento científico e para a formação de consciência ambiental na população.
Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, o reconhecimento representa um avanço na relação entre ciência e poder público.
“É significativo ver a ciência sendo reconhecida dentro do ambiente legislativo. Isso reforça o papel do conhecimento científico na formulação de políticas públicas”, afirmou.Impacto social e educacional
O alcance do Bosque da Ciência vai além da pesquisa. Em 2025, o espaço recebeu mais de 140 mil visitantes, entre estudantes, moradores e turistas. Ao longo de três décadas, já ultrapassou a marca de 2,5 milhões de visitas.
No local, o público tem acesso a observação de espécies da fauna amazônica, como peixe-boi, ariranha e jacarés, trilhas em meio à floresta, espaços educativos como a Casa da Ciência e a Maloca Indígena e exposições sobre tecnologias e pesquisas voltadas à conservação ambiental.
Essa estrutura posiciona o Bosque como um dos principais instrumentos de popularização da ciência na Amazônia.
Ciência aplicada e conhecimento traduzido
Além da visitação, o espaço também funciona como ponte entre pesquisa e sociedade. Projetos desenvolvidos no Inpa são apresentados ao público de forma acessível, permitindo contato direto com estudos sobre biodiversidade, genética e bioeconomia.
Um exemplo é o trabalho com óleos essenciais da floresta, apresentado pelo pesquisador João Domingos, que reúne mais de mil espécies catalogadas, como pau-rosa e pimenta longa. A iniciativa permite que visitantes conheçam, na prática, o potencial econômico e científico da biodiversidade amazônica.
Reconhecimento e futuro
Durante a sessão solene na Aleam, servidores, pesquisadores e colaboradores foram homenageados pela atuação no Bosque. Para o chefe do espaço, Jorge Lobato, o reconhecimento institucional pode abrir novas possibilidades.
“Esse avanço pode ampliar parcerias, atrair investimentos e fortalecer a expansão das atividades educativas e de preservação”, destacou.
Valorização estratégica
Na avaliação do autor do projeto, o reconhecimento formal do Bosque da Ciência pode contribuir para fortalecer sua visibilidade e garantir sustentabilidade a longo prazo.
A iniciativa também se insere em um movimento mais amplo de valorização de ativos ambientais e científicos na Amazônia, especialmente em um contexto de debates sobre desenvolvimento sustentável e bioeconomia.
Um modelo para a Amazônia
Ao unir pesquisa científica, educação ambiental e contato direto com a floresta, o Bosque da Ciência se consolida como um modelo de integração entre conhecimento e sociedade.
O avanço do projeto de lei representa, nesse sentido, não apenas um reconhecimento simbólico, mas uma estratégia de fortalecimento de políticas públicas voltadas à preservação e ao desenvolvimento sustentável da região.
Com informações da ASCOM INPA
Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus








