Calor acima dos 36°C em Manaus aumenta alerta para pacientes em tratamento de saúde

Altas temperaturas elevam o risco de desidratação e podem afetar pacientes com câncer e outras doenças. Especialista orienta atenção à ingestão de líquidos, alimentação e sinais de exaustão pelo calor.

As altas temperaturas registradas em Manaus exigem cuidados adicionais de pessoas em tratamento contra o câncer e de pacientes com doenças crônicas. Desidratação, perda de eletrólitos, cansaço e redução do apetite estão entre os problemas que podem ocorrer durante períodos de calor intenso.

Em agosto, a capital amazonense chegou a registrar 36,2°C. Temperaturas elevadas aumentam a perda de líquidos pelo organismo e podem agravar condições de saúde preexistentes, principalmente quando o paciente já enfrenta dificuldades para manter a hidratação ou a alimentação.

De acordo com orientações do Ministério da Saúde, pessoas com doenças renais, cardíacas, respiratórias e diabetes estão entre os grupos que precisam de atenção durante períodos de temperaturas elevadas.

Tratamento contra o câncer pode exigir cuidados específicos

Pacientes oncológicos podem apresentar efeitos relacionados ao tratamento, como náuseas, vômitos, diarreia, alterações no paladar e falta de apetite. Esses sintomas podem dificultar a ingestão adequada de líquidos e alimentos.

O nutricionista Suriel Mello, da Oncológica do Brasil, explica que a hidratação deve ocorrer ao longo do dia.

“Em Manaus, estamos acostumados com o calor, mas isso não significa que o organismo não sofra com temperaturas muito elevadas. Para uma pessoa que está em tratamento contra o câncer ou enfrenta outra doença, manter uma boa hidratação e uma alimentação adequada pode ser ainda mais importante”, afirma.

Segundo o nutricionista, o paciente não deve necessariamente esperar sentir sede para ingerir água. A quantidade de líquidos, porém, precisa considerar as condições individuais e as recomendações da equipe de saúde.

Pacientes renais e cardíacos precisam de orientação

O aumento da ingestão de água não é indicado da mesma maneira para todos. Pessoas com doenças renais ou cardíacas, por exemplo, podem ter restrições específicas relacionadas ao consumo de líquidos.

“Não é recomendado simplesmente aumentar o consumo de água sem orientação. A hidratação precisa estar de acordo com a condição clínica e com as recomendações da equipe que acompanha o paciente”, explica Suriel Mello.

Por isso, mudanças significativas na quantidade de água ou outros líquidos consumidos devem ser discutidas com os profissionais responsáveis pelo tratamento.

Alimentação também pode ser afetada pelas altas temperaturas

Outro efeito do calor é a redução do apetite. Para pacientes submetidos a tratamentos prolongados, passar muitas horas sem se alimentar pode dificultar a manutenção do estado nutricional.

Frutas, verduras, legumes e refeições mais leves podem fazer parte da alimentação, desde que sejam respeitadas as necessidades e restrições de cada pessoa.

“Não existe uma dieta única para quem está doente. A alimentação precisa ser individualizada. O mais importante é evitar longos períodos sem comer e garantir que o paciente receba os nutrientes necessários, respeitando os sintomas, o tratamento e a condição clínica”, afirma o nutricionista.

A conservação dos alimentos também exige atenção em dias quentes, já que temperaturas elevadas podem favorecer a proliferação de microrganismos quando os produtos são armazenados de maneira inadequada.

Sinais de desidratação exigem atenção

Pacientes em tratamento devem observar possíveis sinais relacionados à desidratação ou à exaustão pelo calor. Tontura, fraqueza intensa, confusão mental, náuseas persistentes e redução significativa da quantidade de urina estão entre as situações que podem indicar necessidade de avaliação médica.

A orientação é evitar mudanças importantes na alimentação ou na ingestão de líquidos sem acompanhamento profissional, principalmente entre pacientes que possuem restrições decorrentes da doença ou do tratamento.