A Europa enfrenta uma das mais intensas ondas de calor já registradas no continente, com reflexos na saúde pública, na infraestrutura, no setor energético e na economia. Na França, autoridades estimam que cerca de mil mortes acima do esperado tenham sido registradas desde quarta-feira (24), principalmente entre pessoas com mais de 65 anos, em um cenário que especialistas relacionam às mudanças climáticas.
Neste domingo (28), a previsão é de que mais de 190 milhões de pessoas enfrentem temperaturas iguais ou superiores a 35°C em diferentes regiões do continente. Desde o último dia 20 de junho, diversos países vêm batendo recordes históricos de temperatura.
Na Alemanha, os termômetros atingiram 41,5°C no sábado, estabelecendo a maior temperatura já registrada no país. O serviço meteorológico alemão alertou ainda para a possibilidade de os índices se aproximarem dos 42°C.
A onda de calor também estabeleceu novas marcas em outros países. Na República Tcheca, a temperatura chegou a 40,8°C ao norte de Praga, com expectativa de ultrapassar os 41°C. Em Basileia, na Suíça, os termômetros marcaram 39°C pelo terceiro dia consecutivo, renovando o recorde para o mês de junho. Já a Dinamarca registrou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições meteorológicas no país.
Além das temperaturas extremas, os sistemas de saúde enfrentam aumento na demanda por atendimento. Na França, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, afirmou que os efeitos da onda de calor poderão continuar sendo sentidos por até dez dias, mesmo após a redução das temperaturas. Segundo ela, “o episódio ainda não acabou”.
Na Espanha, autoridades associaram 212 mortes registradas em um período de quatro dias ao calor intenso. Hospitais, serviços de emergência e administrações locais reforçaram as equipes para atender ao crescimento da procura por assistência médica.
Em cidades como Paris e Viena, os serviços de emergência registraram aumento significativo nos atendimentos. Ao mesmo tempo, festivais, eventos ao ar livre e manifestações públicas foram cancelados, adiados ou adaptados em razão das condições climáticas e dos alertas emitidos pelas autoridades.
Os impactos também atingiram a infraestrutura. Na Hungria, o aumento da temperatura das águas do rio Danúbio obrigou a usina nuclear de Paks a reduzir a produção de eletricidade para manter o sistema de resfriamento dos reatores dentro dos padrões de segurança.
Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram as regras para cancelamento de viagens devido ao risco de deformação dos trilhos causado pelo calor. Também foram registrados danos em rodovias, com rachaduras em alguns trechos provocadas pelas altas temperaturas.
Especialistas afirmam que eventos dessa magnitude seriam praticamente impossíveis sem o aquecimento global provocado pelas atividades humanas. A expectativa é de que episódios de calor extremo se tornem cada vez mais frequentes, prolongados e intensos nas próximas décadas.
O fenômeno atual é favorecido por um padrão atmosférico conhecido como “bloqueio ômega”, que mantém uma massa de ar quente estacionada sobre a mesma região por vários dias, dificultando a chegada de frentes frias e prolongando as temperaturas elevadas.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: AFP






