A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após uma ofensiva militar dos Estados Unidos, mudou o clima entre venezuelanos que vivem em Manaus na manhã deste sábado (3). A notícia, que se espalhou ainda de madrugada, foi recebida com sentimentos mistos de esperança, cautela e incerteza sobre o futuro do país e dos milhares de refugiados que vivem no Brasil.
“Ele me acordou dizendo: ‘mamãe, capturaram o Maduro’. Eu achei que fosse brincadeira, mas ele estava muito feliz, dizendo que agora ia melhorar e que a gente podia voltar”, contou a cozinheira Luiza Maria Villa Fana, de 35 anos. “Quando acordei de vez, por volta das seis da manhã, vi as notícias e minha família inteira já estava me ligando”, completou.
Luiza mora na Zona Leste de Manaus com os três filhos e deixou a Venezuela em 2019, em meio à crise econômica e à escassez de alimentos. Formada em Administração de Empresas, ela afirma que a decisão de migrar foi motivada por dificuldades básicas do dia a dia.
“O salário não dava para nada, principalmente para comprar comida. A gente não pagava aluguel, nem água, nem luz, mas o problema era se alimentar. Não tinha como continuar”, relatou.
Apesar da mudança brusca no cenário político venezuelano, Luiza diz que não pretende retornar ao país neste momento. “Meu sonho é que meus filhos se formem e tenham um futuro melhor. Quero que eles tenham oportunidades e uma vida mais estável”, afirmou.
Amazonas concentra a segunda maior população venezuelana do país
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2022, apontam que o Amazonas é o segundo estado brasileiro com maior número de venezuelanos, com 30.868 imigrantes. Roraima lidera o ranking, com 59.163 pessoas.
A imigração em massa de venezuelanos para o Brasil teve início a partir de 2015 e se intensificou entre 2016 e 2018, em razão da grave crise política, econômica e humanitária no país vizinho, agravada durante o governo de Nicolás Maduro, que assumiu o poder em 2013. Desde então, centenas de milhares de venezuelanos ingressaram no território brasileiro, principalmente pela fronteira Norte.
Para especialistas, o atual cenário político pode provocar, ao menos inicialmente, um novo aumento do fluxo migratório. O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, Américo Lyra, avalia que o momento ainda é de incerteza.
“A tendência inicial é de um fluxo maior de pessoas deixando o país, principalmente pelo medo da instabilidade”, explicou. “Do ponto de vista econômico, o risco é de desequilíbrio, ainda mais diante do que foi anunciado sobre uma transição política que ninguém sabe como será”, completou.
Atos em Manaus e Boa Vista
No fim da tarde de sábado, um grupo de venezuelanos se reuniu no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. Durante o ato, os manifestantes cantaram o hino nacional da Venezuela e entoaram palavras de ordem em defesa da liberdade, celebrando a captura de Maduro.
“Hoje a gente sente esperança, mas também medo do que pode acontecer depois”, disse uma das participantes do ato, que preferiu não se identificar.
A repercussão também foi registrada em Boa Vista. Imagens que circulam nas redes sociais mostram centenas de venezuelanos lotando a Praça do Centro Cívico, na noite de sábado, em comemoração à queda do líder venezuelano. O local concentrou bandeiras, cânticos e manifestações de apoio à mudança de cenário político no país.
Ataques, mortos e captura
Na madrugada deste sábado, uma série de explosões atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. De acordo com o jornal The New York Times, o ataque dos Estados Unidos deixou ao menos 40 mortos. A ação resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
O governo venezuelano afirmou que o país foi alvo de uma “agressão militar”. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o casal foi levado para Nova York em um navio de guerra norte-americano. Trump declarou ainda que os EUA pretendem conduzir a Venezuela até uma transição de governo e controlar o petróleo do país, além de voltar a acusar Maduro de chefiar um cartel de narcotráfico.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou que Maduro será julgado em um tribunal de Nova York, com acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armamento pesado.
Após os ataques, o chanceler venezuelano Yván Gil solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para discutir a situação da Venezuela.
Com Informações do G1 Amazonas
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






