Carne bovina segue cara em 2026 e pode subir mais com limite de exportação para a China

Restrição nas vendas externas e ajuste na produção mantêm preços elevados no Brasil

A carne bovina deve continuar com preços elevados ao longo de 2026 no Brasil, impulsionada por mudanças no mercado internacional e pela dinâmica da produção interna. Um dos principais fatores é a nova cota de importação imposta pela China, que limita as compras de carne brasileira e pode alterar o fluxo de exportações.

A partir deste ano, o volume anual permitido é de 1,106 milhão de toneladas, com limite total de 2,8 milhões até 2028. Exportações acima desse teto passam a ser taxadas em 55%, reduzindo a competitividade da carne brasileira no exterior.

Apesar da restrição, o efeito não deve resultar em queda de preços no mercado interno. Isso porque frigoríficos tendem a reduzir o ritmo de abate para evitar excesso de oferta, o que mantém a disponibilidade de carne limitada e sustenta os valores nas gôndolas.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, apenas no primeiro trimestre, o Brasil exportou 701,64 mil toneladas de carne bovina, alta de quase 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Desse total, 325,42 mil toneladas foram destinadas à China. O setor avalia que o risco maior está no segundo semestre, período de maior demanda externa. Com a cota mais restrita, o país pode chegar a esse momento com margem reduzida para embarques.

No campo, os reflexos já aparecem nos preços. A arroba do boi gordo chegou a R$ 368,54 em abril, segundo o Cepea, maior média mensal da série em São Paulo. No varejo, cortes como picanha já ultrapassam R$ 80 por quilo, enquanto o filé-mignon supera os R$ 100.

O impacto também é percebido na inflação. Dados do IBGE indicam que o grupo alimentação e bebidas subiu 1,56% em março, com as carnes avançando 1,73% no período. Especialistas apontam que o comportamento dos preços envolve múltiplos fatores e não depende apenas do destino das exportações.

“O preço não responde de forma direta ao mercado externo. Quando há restrição, a tendência é reduzir o abate para evitar excesso de oferta, o que mantém os preços elevados no mercado interno”, avalia Ronaldo Félix.

Outro fator é a dinâmica do varejo, que tende a repassar aumentos com mais rapidez do que eventuais quedas.

“Há uma rigidez para baixo nos preços. Quando o boi sobe, o repasse é rápido. Quando cai, a redução demora a chegar ao consumidor”, explica Ivan Fargomini.

A expectativa do setor é de manutenção dos preços em patamar elevado ao longo do ano, com possível migração do consumo para proteínas mais baratas, como frango e carne suína.

Com Informações da CNN Brasil

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus