Crimes ilegais na Amazônia resultam em quase 19 mil mortes adicionais, revela estudo

Um estudo do projeto Amazônia 2030 mostra que atividades ilícitas como grilagem, mineração ilegal, exploração de madeira e facções criminosas estão por trás de cerca de 18.755 homicídios a mais na Amazônia Legal entre 1999 e 2023, com 5.500 mortes adicionais de 2018 a 2023.

Crimes ligados à exploração ilegal de recursos naturais e à atuação de facções criminosas provocaram quase 19 mil mortes a mais na Amazônia Legal entre 1999 e 2023. O estudo “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, divulgado pelo projeto Amazônia 2030, revela mudanças no perfil da violência na região ao longo das últimas duas décadas.

Segundo a pesquisa, entre 1999 e 2023, a Amazônia Legal registrou 18.755 homicídios a mais do que cidades de pequeno porte no restante do país, indicando um padrão de violência diferenciado na região.

O estudo aponta que até meados dos anos 2000, a maioria dos homicídios estava relacionada à exploração ilegal de madeira. Entre 2005 e 2015, houve aumento de mortes associadas à grilagem de terras e à mineração ilegal de ouro. A partir de 2015, o crescimento da atuação de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas passou a ser um fator predominante, respondendo por 56% das mortes relacionadas a fatores de risco desde 2018.

Os quatro fatores identificados — exploração de madeira, grilagem de terras, mineração ilegal de ouro e presença de facções criminosas — explicam cerca de 60% do excesso de homicídios na região, totalizando aproximadamente 5.500 mortes adicionais entre 2018 e 2023. Municípios que apresentam três ou quatro desses fatores simultaneamente registram aumentos mais significativos nas taxas de homicídios. Desde 2014, cidades com os quatro fatores tiveram crescimento de quase 30 homicídios por 100 mil habitantes em relação às cidades sem esses fatores.

O estudo também indica que a natureza dos crimes mudou: atualmente, a maior parte dos homicídios está vinculada a disputas por rotas de tráfico e controle territorial de facções criminosas, substituindo o padrão anterior centrado na exploração de madeira.

O projeto Amazônia 2030 destaca a necessidade de políticas públicas e ações integradas de segurança, fiscalização ambiental e desenvolvimento sustentável para reduzir os impactos da economia ilícita e a violência na região.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.