O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, em pronunciamento recente que circula nas redes sociais, fez um alerta claro e direto aos pais: criminosos estão utilizando plataformas populares entre crianças e adolescentes, como Fortnite, Snapchat e Roblox para se aproximar de usuários jovens, iniciar conversas e eventualmente evoluir para assédios e condutas predatórias.
Segundo o procurador-geral, a estratégia desses agressores envolve a criação de perfis falsos, simulações de afinidade com interesses infantis e tentativas de conduzir conversas para fora dos ambientes seguros, muitas vezes direcionando as vítimas para outras plataformas de mensagem menos monitoradas.
“É fundamental que as famílias acompanhem de perto o que os filhos fazem no ambiente digital, conversem sobre segurança online e monitorem interações dentro dos aplicativos”, afirmou Uthmeier no vídeo que alertou para essa tendência preocupante.
Como os criminosos aproximam-se das crianças
Especialistas em segurança digital descrevem um padrão que tem se repetido. Eles criam perfis falsos, onde adultos se passando por adolescentes ou jovens para ganhar confiança. Os caminhos variam entre abordagens em jogos e salas de chat onde ocorrem as interações dentro de plataformas como Fortnite e Roblox, que permitem comunicação entre jogadores Em seguida vem os pedidos de amizade e mensagens diretas, muitas vezes iniciadas de forma aparentemente inocente, até chegar na evolução para conteúdos íntimos ou fora de contexto, com chantagens ou manipulação emocional.
O uso de jogos online como Fortnite e ambientes altamente interativos como os de Roblox amplia a chance de contato não supervisionado entre crianças e predadores, sobretudo quando os responsáveis desconhecem quem são os “amigos virtuais”.
No caso do Snapchat, a plataforma é criticada por permitir mensagens que “desaparecem”, o que pode facilitar a ocultação de conteúdos trocados sem deixar registros facilmente rastreáveis.
Por que isso preocupa autoridades nos EUA
Nos Estados Unidos, recentes investigações apontam que criminosos entram nesses ambientes especificamente por serem frequentados por crianças e adolescentes e por apresentarem menos barreiras iniciais de segurança. Plataformas com ambientes sociais integrados e chat em tempo real, especialmente em jogos multiplayer, tornam-se terrenos férteis para esse tipo de abordagem.
O alerta do procurador-geral da Flórida é parte de um movimento maior de autoridades americanas que têm reforçado a necessidade de políticas públicas, fiscalização e participação ativa das famílias para combater esse problema.
O debate no Brasil e o caso Felca
No Brasil, a discussão sobre os riscos da internet para crianças ganhou destaque com o chamado caso Felca, que colocou em evidência a adultização precoce de crianças nas redes sociais e a necessidade de limitar a exposição infantil em plataformas digitais.
O episódio também impulsionou o debate sobre legislação mais eficaz para proteger menores de idade online, incluindo propostas para regular maior controle parental, verificação de idade e punições mais severas a quem se aproveita de crianças em ambientes virtuais.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já criminaliza, no Brasil, práticas de aliciamento, exploração e produção ou compartilhamento de material sexual envolvendo menores. Nos últimos anos, esses dispositivos legais têm sido ampliados para abarcar condutas digitais e responsabilizar tanto os indivíduos quanto as plataformas que facilitam esse tipo de crime.
Como pais e responsáveis podem agir
Diante desse cenário, especialistas enfatizam que a ação preventiva das famílias é tão importante quanto políticas públicas. Entre as recomendações estão:
1. Diálogo contínuo: conversar regularmente com as crianças sobre o que fazem na internet, com quem interagem e quais jogos utilizam.
2. Configurações de privacidade: usar as ferramentas de bloqueio e restrição de mensagens diretas nas plataformas.
3. Monitoramento de aplicativos: acompanhar as interações, listas de amigos e mensagens privadas, inclusive em jogos e chats.
4. Controle parental: instalar recursos que limitam horários e conteúdo acessível nas contas e dispositivos.
5. Educação digital: ensinar sobre sinais de alerta — como pedidos de fotos, conversas secretas ou convites para “seguir para outro app”.
Essas medidas não garantem proteção absoluta, mas aumentam significativamente a segurança do menor no ambiente digital.
Fontes:
Procuradoria-Geral da Flórida, alerta sobre crimes digitais contra crianças (Instagram/Reels);
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), legislação brasileira sobre proteção infantil digital.
Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus
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