O governo dos Estados Unidos deixou de acusar o ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o chamado Cartel de Los Soles. A mudança consta em uma versão reescrita da denúncia judicial apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, divulgada no último sábado (3).
Segundo análise do jornal The New York Times, o novo texto representa uma mudança relevante na linguagem adotada pelo governo de Donald Trump em relação à acusação formalizada em 2020.
Na nova denúncia, Maduro deixa de ser descrito como “chefe de uma organização terrorista narcotraficante” e passa a ser apontado como alguém que “participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual elites poderosas da Venezuela se enriquecem por meio do tráfico de drogas”, de acordo com o Departamento de Justiça.
O documento afirma ainda que “os lucros dessa atividade ilegal fluem para oficiais civis, militares e de inteligência corruptos, que operam em um sistema de clientelismo comandado pelos que estão no topo”, estrutura “conhecida como Cartel de Los Soles ou Cartel do Sol”, em referência ao símbolo presente nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente.
Apesar da mudança na descrição, Maduro continuará respondendo a quatro acusações na Justiça norte-americana: conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para a posse dessas armas com fins ligados ao narcotráfico.
O Cartel de Los Soles, que havia sido classificado como organização terrorista internacional pelo Departamento de Estado em novembro, aparece apenas duas vezes no novo documento. Agora, o termo passa a ser tratado como uma designação genérica para práticas de narcotráfico associadas a setores da elite venezuelana, e não mais como uma organização criminosa formal e hierarquizada.
Especialistas já vinham questionando essa caracterização. O pesquisador Jeremy McDermott, cofundador da organização InSight Crime, afirmou que o grupo “não é uma organização centralizada”, mas sim “uma rede difusa que facilita o tráfico de drogas e lucra a partir dele”.
Segundo McDermott, o esquema “vem de muito antes do governo de Hugo Chávez” e difere de cartéis tradicionais, como os de Sinaloa ou Medellín. Ainda assim, ele avalia que Maduro teria se beneficiado politicamente do modelo.
Para o pesquisador, “Maduro não controla diretamente o tráfico, mas distribui concessões a militares e aliados em troca da manutenção no poder”, o que caracterizaria, segundo ele, “uma governança criminal híbrida”.
Maduro foi formalmente acusado em audiência realizada em Nova York na segunda-feira. Na ocasião, declarou-se inocente e afirmou ser “um prisioneiro de guerra”.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






