Exclusiva: Missões médicas avançam sobre vazios assistenciais e levam atendimento a comunidades isoladas da Amazônia

Em entrevista, Dr. Alexssandro Santos detalha como missões médicas chegam à comunidades isoladas da Amazônia

A dificuldade histórica de acesso à saúde em áreas remotas da Amazônia segue como um dos principais desafios da região. Distâncias longas, deslocamentos por rios e ausência de estrutura permanente tornam o atendimento médico um processo demorado para milhares de famílias. Nesse cenário, iniciativas independentes têm buscado reduzir esse vazio assistencial por meio de missões que levam atendimento direto às comunidades.

Uma dessas experiências vem sendo desenvolvida pelo Instituto FAMAZONIA, que atua com ações itinerantes de saúde em regiões de difícil acesso, combinando atendimento presencial, telemedicina e suporte social. Em entrevista à Jovem Pan News Manaus, o diretor executivo da instituição, Dr. Alexssandro Santos, detalhou como o projeto surgiu e como tem sido estruturado nos territórios amazônicos.

O instituto já tem mais de cinco anos de atuação, com ações ambientais e sociais. Mas há cerca de um ano iniciamos esse trabalho voltado à saúde, com o objetivo de chegar às pessoas que estão nos locais mais remotos. Existe um vazio assistencial muito grande, e a gente se propõe a ser uma ponte para levar atendimento a quem precisa”, afirmou.

A proposta se baseia em um modelo de missão que reúne profissionais de diferentes áreas, estrutura móvel e tecnologia. As ações incluem consultas médicas, exames laboratoriais com resultado rápido e distribuição de medicamentos, além de atividades educativas e sociais dentro das comunidades.

Uma das operações mais recentes ocorreu no Carreiro da Várzea, onde 12 comunidades indígenas foram atendidas em dois dias de ação. A logística envolveu deslocamentos por rios e articulação prévia com lideranças locais para garantir o acesso da população.

Nós fizemos três visitas técnicas antes da missão. Levamos informação, organizamos o transporte e trabalhamos junto com os representantes das comunidades para que ninguém ficasse sem atendimento”, explicou o diretor.

Segundo ele, a mobilização resultou em grande participação.

Chegamos a registrar 57 embarcações no local. Foram quase mil procedimentos, entre consultas presenciais, atendimentos por telemedicina e exames. É um volume significativo para uma região de difícil acesso”, disse.

A estrutura montada incluiu consultórios físicos e pontos de telemedicina conectados via satélite, permitindo acesso a especialistas que não estavam presencialmente na missão. “Instalamos seis consultórios de telemedicina. Tivemos casos de mães que aguardavam há anos por um diagnóstico e conseguiram atendimento ali, na hora, com especialista”, relatou.

Além do atendimento clínico, as ações também incluem atividades voltadas ao público infantil e às mulheres, com apoio de equipes sociais e voluntários. O levantamento prévio das comunidades ajuda a dimensionar o número de atendimentos e organizar a logística.

A gente faz esse mapeamento antes, identifica quantas crianças, quantas mulheres, como é a realidade local. Isso permite chegar com estrutura adequada e dar suporte para todos”, explicou a equipe envolvida na organização.

O projeto também mobiliza profissionais de diferentes estados, que participam de forma voluntária. Médicos de São Paulo, Maranhão, Ceará e Piauí já integraram as missões realizadas no Amazonas.

É um trabalho que exige união. Até aqui conseguimos avançar com recursos próprios e apoio de voluntários. Mas para ampliar esse alcance, precisamos de parcerias com o setor privado e com outras instituições”, afirmou Alexssandro.

A iniciativa também já teve atuação fora do estado, com atendimentos durante a COP30, em Belém, incluindo ações na Ilha do Combu, além de visita técnica à Guiana Inglesa, onde há presença de trabalhadores brasileiros.

A meta do instituto é manter uma frequência regular de missões, com intervalos de cerca de dois meses entre as grandes ações, além de atividades menores ao longo do período.

Saímos das comunidades com a sensação de dever cumprido, mas também com a responsabilidade de voltar. Ainda há muito a ser feito. A Amazônia tem demandas específicas, e o acesso à saúde precisa chegar de forma contínua”, destacou.

As próximas etapas incluem a ampliação das parcerias e a estruturação de novas missões em áreas ainda não atendidas, mantendo o modelo baseado em integração entre tecnologia, atendimento direto e articulação comunitária.

Foto: Divulgação

Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus