Facções criminosas atuam em 25 municípios do Amazonas, aponta estudo do FSSP

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FSSP) mostra que ao menos 25 municípios do Amazonas registram presença de facções criminosas, sendo que em quatro deles há atuação de mais de uma organização. O estudo detalha estratégias de combate ao crime e desafios logísticos da segurança na região.

Pelo menos 25 dos 62 municípios do Amazonas possuem atuação de facções criminosas, segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FSSP) em dezembro de 2025. O estudo indica que em quatro municípios há a presença de duas ou mais organizações, destacando o Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e os Piratas do Solimões, além de grupos colombianos em áreas do norte do estado.

O levantamento, intitulado Experiências promissoras de prevenção e enfrentamento ao crime e à violência na Amazônia, combina dados de órgãos públicos, organizações sociais, pesquisas acadêmicas e entrevistas com gestores, lideranças comunitárias e especialistas. O objetivo é mapear a presença de facções e destacar iniciativas de combate à criminalidade e violência na região.

O estudo descreve ações como as Bases Fluviais Integradas (Base Arpão Coari) e programas especializados como o “Ouro Alvo”, para rastrear ouro ilegal, e a “Operação Curupira”, voltada ao combate ao desmatamento. Também analisa a atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) e iniciativas de autoproteção indígena, além de políticas de segurança em diferentes estados amazônicos.

Desafios logísticos

O estudo ressalta o chamado “custo Amazônia”, destacando que o policiamento fluvial é 25 vezes mais caro em combustível do que operações rodoviárias equivalentes no Sudeste. Segundo estimativas, uma lancha blindada percorre 500 km com gasto de R$ 6 a R$ 7 mil em combustível, enquanto uma viatura rodoviária gasta cerca de R$ 260 para a mesma distância.

Distribuição das facções

O Comando Vermelho (CV) é a facção mais presente, atuando em 19 municípios. O PCC mantém presença apenas em Coari, enquanto os Piratas do Solimões estão em três municípios. Facções colombianas operam em Japurá e São Gabriel da Cachoeira, em parceria com o CV, fornecendo drogas como maconha e cocaína.

De acordo com o estudo, o PCC vem perdendo espaço no Amazonas após o CV assumir áreas estratégicas em Manaus, como a Comunidade de Valparaíso, localizada na Zona Norte. A presença de facções estrangeiras reforça a importância estratégica do estado para rotas de narcotráfico que atravessam rios, furos e igarapés.

Lista de municípios com presença de facções:

  • Anamã – CV

  • Atalaia do Norte – CV

  • Barcelos – CV e Piratas do Solimões

  • Benjamin Constant – CV

  • Borba – CV

  • Carauari – CV

  • Coari – PCC

  • Codajás – Piratas dos Solimões

  • Envira – CV

  • Guajará – CV

  • Iranduba – CV

  • Itacoatiara – CV

  • Itamarati – CV

  • Japurá – CV e Estado Maior Central (EMC)

  • Lábrea – CV

  • Manaus – CV

  • Maués – CV

  • Parintins – CV

  • Rio Preto da Eva – CV

  • Santo Antônio do Içá – CV

  • São Gabriel da Cachoeira – CV e Ex-Farc Acácio Medina

  • São Paulo da Olivença – CV

  • Tabatinga – CV

  • Tefé – CV e Piratas dos Solimões

  • Tonantins – CV

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.