Os dados foram divulgados durante o CIEE Conecta, evento que marcou o lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho e do Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE.
O estudo analisou informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e do Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O levantamento considera jovens brasileiros de 18 a 29 anos e apresenta dados sobre acesso à universidade, modalidades de ensino, permanência nos cursos e inserção no mercado de trabalho.
Mulheres representam 57,4% das matrículas no ensino superior
A pesquisa identificou que as mulheres correspondem a 57,4% das matrículas no ensino superior entre os jovens analisados.
Outro resultado aponta que 62% dos universitários dividem o tempo entre atividades acadêmicas e profissionais.
O levantamento também apresenta diferenças entre as modalidades de ensino nas instituições públicas e privadas.
Na rede privada, 26,3% dos alunos estão matriculados em cursos de educação a distância (EaD). Nas instituições públicas, esse percentual é de 2,8%.
Entre os estudantes da rede privada, o ensino presencial noturno aparece com participação de 29,9%.
Os números mostram a presença de diferentes formatos de graduação na rotina dos jovens que buscam formação acadêmica e inserção profissional.
Matrículas crescem, mas conclusão dos cursos não acompanha expansão
Os dados apresentados pelo Observatório CIEE Juventude e Trabalho indicam que o acesso ao ensino superior aumentou entre 2009 e 2024.
Nesse período, as matrículas cresceram mais de 48%, enquanto o total de ingressantes registrou expansão de 98%.
Entretanto, o número de estudantes que concluíram a graduação aumentou apenas 21%.
A diferença entre o crescimento das entradas e o das conclusões indica que a expansão do acesso à universidade não foi acompanhada na mesma proporção pela formação de novos graduados.
O levantamento também identificou índices de evasão mais elevados entre estudantes de 25 a 29 anos.
Cursos a distância apresentam o dobro da evasão do ensino presencial
A modalidade de ensino aparece como um dos fatores associados à desistência da graduação.
Segundo o estudo, os cursos a distância apresentam, em média, o dobro da evasão observada nos cursos presenciais.
Entre as áreas de formação com maiores índices de desistência estão Serviços; Negócios, Administração e Direito; e Artes e Humanidades.
Apesar dessas diferenças, a pesquisa aponta que a evasão está mais relacionada à modalidade de ensino do que à área de conhecimento escolhida pelo estudante.
Durante o evento, Daniel Ximenes, diretor de Regulação da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), informou que a taxa de evasão nas matrículas de educação a distância chega a 41,9%.
“Nós temos uma taxa de evasão de 41,9% nas matrículas EaD. Não podemos olhar para o aluno que estuda a distância de forma isolada, ele tem que ser um aluno frequente no processo pedagógico todos os dias”, afirmou.
Para Ximenes, a inclusão no ensino superior depende de três fatores: acesso, permanência e qualidade da formação.
O representante do MEC participou de um debate sobre alternativas para ampliar a entrada de estudantes nas universidades e reduzir a desistência dos cursos.
Dificuldades financeiras estão entre os motivos para trancar a faculdade
A falta de recursos financeiros também foi apontada como um dos fatores que levam universitários a interromper a graduação.
Durante o debate, Jeferson Altenhofen, vice-presidente do Grupo Cogna, afirmou que questões financeiras representam 70% dos motivos relacionados ao trancamento de matrícula, conforme os dados apresentados por ele.
O executivo também destacou a relação entre estágio e permanência no ensino superior.
Segundo Altenhofen, quando o estudante realiza estágio e está inserido no mercado de trabalho, a chance de trancar o curso cai 20%.
O dado foi utilizado para defender a importância das oportunidades profissionais durante a graduação como uma forma de contribuir para a continuidade dos estudos.
Apesar das dificuldades de permanência, Altenhofen destacou o papel da formação universitária na trajetória profissional.
“O ensino superior é uma etapa dentro de uma jornada de aprendizagem que vai ser muito longa daqui para a frente, e é um fator extremamente importante do ponto de vista de ascensão profissional e ascensão salarial”, afirmou.
Observatório do CIEE vai reunir dados sobre juventude e mercado de trabalho
O lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho ocorreu durante uma edição do CIEE Conecta.
A plataforma foi criada para analisar dados nacionais, tendências e comportamentos relacionados à juventude brasileira e à inserção dos jovens no mercado de trabalho.
Durante o evento, também foi apresentado o Hub de Evidências FGV Policy Lab CIEE, desenvolvido em parceria com o FGV EESP Policy Lab.
A proposta é produzir estudos e materiais conjuntos que possam contribuir para a elaboração de ações e políticas voltadas à juventude, tanto no Brasil quanto em outros países.
O levantamento sobre o ensino superior foi um dos primeiros conjuntos de informações apresentados pelas duas iniciativas.
Jovens buscam clareza sobre carreira e desenvolvimento profissional
O encerramento do CIEE Conecta contou com um painel sobre o tema “Como conectar, liderar e engajar a juventude”, mediado por Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE.
Durante a discussão, Dib afirmou que a análise de dados sobre o comportamento dos jovens pode ajudar empresas e gestores a compreender expectativas relacionadas ao trabalho.
Segundo ele, os resultados contrariam a percepção de que os jovens tomam decisões de consumo de maneira imediatista. O representante do CIEE afirmou que essa geração demonstra preocupação com suas escolhas e busca informações antes de decidir.
Dib também destacou que os jovens esperam clareza na comunicação com gestores e empresas, especialmente sobre oportunidades de desenvolvimento profissional.
Para o superintendente, as lideranças devem orientar os profissionais em início de carreira e explicar como ocorre a progressão no mercado de trabalho.
“Nas escolas não existe essa transição para o mundo do trabalho, por isso é preciso mostrar aos jovens que a carreira ainda é construída passo a passo”, afirmou.
Os dados apresentados pelo CIEE e pela FGV mostram que, embora o acesso à universidade tenha crescido nos últimos anos, a permanência dos estudantes continua relacionada a fatores como condições financeiras, modalidade de ensino e oportunidades de trabalho.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






