Flávio atribui tarifaço dos EUA a Lula e pede que governo Trump recue de novas taxas contra o Brasil

Senador afirma que discurso do presidente brasileiro prejudicou relação com os Estados Unidos e divulga carta enviada ao secretário de Estado norte-americano

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pela possibilidade de os Estados Unidos aplicarem novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita em vídeo divulgado nas redes sociais nessa terça-feira, 2.

Na gravação, Flávio afirma que o discurso adotado pelo governo brasileiro em relação aos Estados Unidos contribuiu para o aumento das tensões comerciais entre os dois países. O senador também revelou ter enviado uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, solicitando que as novas tarifas não sejam implementadas.

“A realidade é que essa tarifa é do Lula. Pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, seu discurso antiamericano, por defender que o dólar deixe de ser a moeda padrão nas relações internacionais”, afirmou.

A discussão ocorre após o governo dos Estados Unidos iniciar uma investigação comercial envolvendo o Brasil e sinalizar a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O tema ganhou repercussão política e passou a ser explorado por diferentes grupos com foco nas eleições presidenciais de 2026.

Carta enviada aos Estados Unidos

Após divulgar o vídeo, Flávio tornou pública a carta encaminhada a Marco Rubio. No documento, escrito em inglês, o senador manifesta preocupação com os possíveis impactos econômicos das tarifas para o Brasil.

Ele argumenta que o país enfrenta dificuldades fiscais e econômicas, citando o aumento da dívida pública, o crescimento da inadimplência e o elevado número de empresas em recuperação judicial. Na carta, Flávio pede que os Estados Unidos não avancem com a medida.

“A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo”, escreveu o senador.

O parlamentar também cita a recente decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que recebeu apoio de setores da oposição ao governo federal.

Disputa política em torno do tema

O anúncio da investigação norte-americana abriu uma nova frente de disputa política entre aliados de Lula e de Flávio Bolsonaro. Enquanto integrantes do PT afirmam que a aproximação do senador com o presidente Donald Trump pode gerar desgaste político, aliados de Flávio sustentam que a possível adoção das tarifas é consequência da condução da política externa do governo Lula.

Durante agenda em Goiás, Lula também comentou o assunto e associou as possíveis sanções comerciais a iniciativas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente classificou os parlamentares como “traidores da pátria” ao comentar a relação deles com autoridades norte-americanas.

A discussão sobre as tarifas deve permanecer no centro do debate político nos próximos meses, especialmente diante da proximidade do calendário eleitoral de 2026 e dos impactos que eventuais medidas comerciais poderão gerar na economia brasileira.

 

Com Informações da CNN Brasil e BBC News Brasil

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus