Volmar Santos, fundador da Coligay e personagem central de uma das histórias mais emblemáticas do futebol brasileiro, morreu na manhã desta segunda-feira, aos 77 anos. Ele vivia em Passo Fundo, no noroeste do Rio Grande do Sul, onde tratava de problemas de saúde. O velório ocorre a partir das 15h30 na capela do cemitério Vera Cruz, e o sepultamento está marcado para as 9h de terça-feira.
Conhecido por sua atuação em diferentes áreas, Volmar foi músico, carnavalesco, colunista social, radialista e um apaixonado pelo Grêmio. Em 1977, entrou para a história ao fundar a Coligay, considerada a primeira torcida organizada LGBTQIAPN+ do Brasil e um marco na luta contra o preconceito no esporte.
A criação da torcida surgiu do desejo de tornar as arquibancadas do Estádio Olímpico, antiga casa gremista, mais animadas. A partir desse incômodo, Volmar reuniu amigos e frequentadores da boate Coliseu, espaço de convivência da comunidade gay em Porto Alegre, dando origem ao grupo.
A estreia da Coligay no estádio aconteceu em abril de 1977, durante uma partida do Campeonato Gaúcho contra o Santa Cruz. A presença da torcida gerou reações hostis, incluindo tentativas de agressão por parte de outros torcedores, o que exigiu a intervenção da polícia.
Apesar das adversidades, a Coligay ganhou fama de “pé quente”. O grupo esteve presente na campanha do título gaúcho de 1977, conquistado pelo Grêmio após um período de hegemonia do rival. No mesmo ano, a torcida foi convidada por Vicente Matheus para apoiar o Corinthians, que encerrou um jejum de 23 anos sem títulos.
As atividades da Coligay foram encerradas em 1983, quando Volmar precisou retornar a Passo Fundo para cuidar da mãe. Mesmo com existência relativamente curta, a torcida deixou um legado de pioneirismo e coragem em pleno período da ditadura militar.
Décadas depois, a importância de Volmar foi reconhecida pelo próprio Grêmio. Em 2023, ele recebeu uma homenagem do clube, com direito a camiseta e braçadeira de capitão nas cores da bandeira LGBTQIAPN+. A história da Coligay também ganhou registros permanentes, como o livro do jornalista Léo Gerchmann, “Coligay, tricolor e de todas as cores”, e o documentário “Por que essa torcida mete medo em quem odeia gays”, lançado pela Peleja Media em setembro de 2025.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: GZH Passo Fundo






