Governo sobe o tom contra tarifa dos EUA e promete defender interesses do Brasil

Governo classificou como "injusta" e "descabida" a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros e promete intensificar negociações para evitar impactos nas exportações.

A proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros provocou uma reação imediata do governo federal. Nesta terça-feira (2), integrantes da equipe econômica classificaram a medida como “injusta” e “descabida” e afirmaram que continuarão negociando para evitar prejuízos às exportações nacionais.

A resposta foi apresentada após a divulgação das conclusões preliminares de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.

Durante coletiva de imprensa, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, contestou os argumentos utilizados pelos norte-americanos e destacou que a relação comercial entre os dois países é favorável aos Estados Unidos.

Um dos pontos mais citados pelo governo brasileiro foi o PIX, mencionado na investigação americana. Segundo Alckmin, o sistema de pagamentos instantâneos não cria barreiras para empresas estrangeiras e oferece tratamento igualitário para companhias brasileiras e internacionais.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o PIX não será objeto de negociação. Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, classificou a ferramenta como um símbolo da soberania financeira do país.

Governo rebate argumentos dos EUA

Além do PIX, representantes brasileiros contestaram questionamentos relacionados ao Mercosul, à política ambiental, à proteção da propriedade intelectual, ao combate à corrupção e ao mercado de etanol.

Segundo dados apresentados pelo governo, os Estados Unidos registraram superávit superior a US$ 40 bilhões na balança comercial de bens e serviços com o Brasil apenas no último ano.

Outro argumento utilizado foi o fato de que grande parte dos produtos norte-americanos entra no mercado brasileiro sem cobrança de imposto de importação.

Exportações podem ser afetadas

Caso a proposta avance e as tarifas sejam efetivamente implementadas, o governo estima que cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos possam ser atingidas.

Entre os setores mais expostos estão os de máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel, calçados, ferro fundido e pescados.

Negociações continuam

O governo informou que continuará apostando na via diplomática para tentar evitar a adoção das tarifas. As discussões entre os dois países devem seguir até o encerramento da investigação, previsto para 15 de julho.

Apesar da estratégia de negociação, o Palácio do Planalto afirmou que poderá utilizar mecanismos previstos na legislação brasileira para responder a eventuais medidas consideradas prejudiciais aos interesses do país.

 

Com Informações Jovem Pan
Foto: Reprodução
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus