Inflação acelera para 0,89% em abril e se aproxima do teto da meta no acumulado em 12 meses

Prévia divulgada pelo IBGE aponta pressão de alimentos e combustíveis; índice soma 4,37% em 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,89% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 28, pelo IBGE. Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,37% nos últimos 12 meses, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional, que estabelece meta de 3% para 2026, com limite máximo de 4,5%.

O resultado veio próximo das projeções do mercado, que estimavam alta mensal de 0,95% e inflação acumulada de 4,45%. Em abril do ano passado, o índice havia sido menor, com variação de 0,43%. Desde 2024, o acompanhamento da meta passou a ser contínuo, com base no acumulado em 12 meses.

Entre os nove grupos pesquisados, alimentação e transportes concentraram a maior parte da pressão inflacionária. O grupo alimentação e bebidas avançou 1,46% no mês, enquanto transportes registrou alta de 1,34%. Juntos, esses dois segmentos responderam por cerca de 65% do resultado do IPCA-15 em abril.

No caso dos alimentos, o maior impacto veio da alimentação no domicílio, que acelerou de 1,1% em março para 1,77% em abril. Entre os itens com maior alta estão cenoura (+25,43%), cebola (+16,54%) e leite longa vida (+16,33%). Por outro lado, produtos como maçã (−4,76%) e café moído (−1,58%) ajudaram a conter parte da pressão. De acordo com o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, o avanço dos preços reflete fatores como condições climáticas e custos logísticos.

“O movimento reflete tanto choques de oferta, fatores climáticos, quanto possíveis repasses da alta dos combustíveis para os custos logísticos”, afirmou.

No grupo transportes, a alta foi puxada principalmente pelos combustíveis, que passaram de leve queda em março para aumento expressivo em abril. A gasolina subiu 6,23%, o óleo diesel avançou 16% e o etanol teve alta de 2,17%, enquanto o gás veicular registrou queda de 1,55%. Segundo o economista da AZ Quest, Lucas Barbosa, os combustíveis vêm pressionando os preços mesmo sem reajuste oficial da Petrobras.

“Mesmo sem reajuste oficial, os preços nos postos estão subindo, o que contribuiu para o resultado do índice”, explicou.

Outros itens do transporte tiveram comportamento distinto. As passagens aéreas registraram queda de 14,32% em abril, após alta no mês anterior. Já tarifas de ônibus urbano subiram 0,44%, corridas de táxi tiveram alta de 0,08% e passagens intermunicipais avançaram 0,14%.

O resultado reforça um cenário de pressão inflacionária concentrada em itens essenciais, como alimentos e combustíveis, com impacto direto no orçamento das famílias e efeitos indiretos sobre toda a cadeia produtiva.

Com Informações do IBGE

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus