Jogadoras iranianas agradecem refúgio na Austrália e recomeçam carreira após crise política

Situação das jogadoras ganhou repercussão após episódios durante a Copa da Ásia

As jogadoras iranianas Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh agradeceram nesta sexta-feira (17) ao governo da Austrália pela concessão de um “refúgio seguro” e afirmaram que desejam retomar suas carreiras esportivas após o processo de reconstrução de suas vidas.

Em comunicado divulgado publicamente, as atletas fizeram suas primeiras declarações desde a obtenção dos vistos humanitários e destacaram a importância do apoio recebido. Elas afirmaram que a experiência trouxe esperança de um futuro em que possam viver e competir com segurança.

“Gostaríamos de expressar nossa mais profunda gratidão ao governo australiano, especialmente ao ministro do Interior, Tony Burke, por nos conceder proteção humanitária e um refúgio seguro neste belo país”, disseram.

As jogadoras também ressaltaram que, neste momento, as prioridades estão relacionadas à adaptação e ao bem-estar. “Neste momento, nosso foco principal está em nossa segurança, nossa saúde e no início do processo de reconstrução de nossas vidas”, afirmaram.

Elas reforçaram ainda o desejo de continuidade no esporte. “Somos atletas de alto nível, e continua sendo nosso sonho dar sequência às nossas carreiras esportivas aqui na Austrália.”

A dupla passou a treinar no mês passado com o Brisbane Roar, equipe da liga feminina australiana, dando início à tentativa de retomada da trajetória profissional no país.

A Austrália havia concedido vistos humanitários a seis jogadoras e um membro da comissão técnica da seleção iraniana, após a campanha da equipe na Copa da Ásia ocorrer em meio ao início de ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Posteriormente, cinco integrantes do grupo decidiram retornar ao país de origem, o que deixou apenas Pasandideh e Ramezanisadeh em território australiano.

As preocupações envolvendo a segurança das atletas aumentaram após episódios durante a Copa da Ásia, quando algumas jogadoras não cantaram o hino nacional em uma partida. O gesto levou a TV estatal iraniana a classificá-las como “traidoras em tempo de guerra”.

O restante da delegação retornou ao Irã no mês seguinte, em uma viagem considerada tensa, que incluiu deslocamento pela fronteira com a Turquia após a saída da Austrália.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Albert Perez/Getty Images