A pentacampeã mundial de jiu-jítsu Kyra Gracie publicou um vídeo no YouTube com o título “Assédio no jiu-jítsu: o que sempre soubemos e ninguém combateu”, denunciando casos de assédio que presenciou ao longo de sua trajetória no esporte. O conteúdo tem 8 minutos e 37 segundos e rapidamente repercutiu na comunidade da luta.
Kyra afirmou que decidir não permanecer em silêncio foi libertador.
Ela destacou ainda que, por fazer parte da renomada família Gracie, não foi vítima em maior escala, mas que outras mulheres podem não ter a mesma proteção.
“Imagina você peladinha dentro do meu kimono keiko’. Um senhor de idade falando isso para uma menina. E essa menina era eu, com 18 ou 19 anos. Ele veio dizendo que queria me patrocinar, e eu congelei. Quando ele estava nos eventos, eu me escondia. Ele errou, e eu me calei. Guardei isso até agora porque o ambiente silencia as mulheres”, relatou a lutadora.
A pentacampeã, que também venceu três vezes sem kimono, afirmou que os episódios que vivenciou não são isolados. “Testemunhei centenas de casos, e por muito tempo tive medo de falar”, disse. Ela reforçou ainda a importância de romper o silêncio sobre abusos: “Sei que vou ser criticada por só falar agora, mas o silêncio só protege os agressores. E a cada dia vão surgindo mais denúncias de assédio contra professores e nomes renomados do meio da luta.”
O vídeo de Kyra foi publicado logo após André Galvão, líder da academia de jiu-jítsu Atos, em San Diego (EUA), ser acusado de assediar sexualmente uma aluna de 18 anos, Alexa Herse. Segundo a jovem, Galvão a teria tocado de forma inapropriada durante treinos e comentado com frequência sobre seu corpo. O caso foi registrado na polícia.
Por sua vez, Galvão se manifestou nas redes sociais, classificando as acusações como falsas e afirmando que tomará medidas legais para “proteger a integridade da Atos”.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
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