Vinte anos após a criação da Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios de segurança pública no Brasil. Pesquisa inédita realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva revela que 54% das brasileiras que já tiveram relacionamento com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. Em contrapartida, apenas 11% dos homens admitem ter cometido algum tipo de agressão contra companheiras ou ex-companheiras.
A realidade nacional também reflete o cenário do Amazonas, estado que, nos últimos anos, tem registrado sucessivos casos de violência doméstica e feminicídio. Dados das forças de segurança mostram que as ocorrências de ameaças, lesões corporais, estupros, descumprimento de medidas protetivas e assassinatos de mulheres continuam mobilizando a rede de proteção, especialmente em Manaus e municípios do interior.
Segundo o levantamento, cerca de 30 milhões de brasileiras afirmam já ter sido vítimas de violência praticada por um parceiro ou ex-parceiro. Quando são consideradas situações específicas previstas na Lei Maria da Penha, esse número chega a quase 48 milhões de mulheres.
A violência psicológica aparece como a forma mais frequente de agressão, relatada por 42% das entrevistadas, seguida da violência física (25%), moral (19%), sexual (10%) e patrimonial (9%). O estudo também mostra que 88% das brasileiras acreditam que a maior parte das agressões é cometida por parceiros ou ex-parceiros.
No Amazonas, especialistas alertam que o combate à violência de gênero ainda enfrenta desafios como a dificuldade de acesso aos serviços especializados, principalmente em municípios distantes da capital, além do medo das vítimas em denunciar os agressores.
Esse receio também foi apontado pela pesquisa nacional. Entre as entrevistadas, 68% afirmaram que o principal obstáculo para romper o ciclo da violência é o medo de sofrer represálias ou não receber proteção adequada. A impunidade dos agressores foi citada por 56% das mulheres, enquanto 39% apontaram a lentidão da Justiça como um dos maiores entraves.
Apesar dos desafios, a Lei Maria da Penha é reconhecida como um marco no enfrentamento à violência doméstica. Sete em cada dez brasileiras afirmam que a legislação teve impacto positivo na proteção das mulheres, e 54% dizem sentir-se mais seguras desde sua criação. Além disso, três em cada quatro entrevistadas afirmam que a lei ampliou a conscientização sobre os diferentes tipos de violência.
A pesquisa também revela que a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) é o serviço de proteção mais conhecido entre as brasileiras, citado por 75% das entrevistadas. Em seguida aparecem a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180 (64%), e a Polícia Militar, acionada pelo 190 (55%).
Mesmo com maior conhecimento sobre os mecanismos de proteção, a população avalia que a legislação ainda enfrenta dificuldades para ser plenamente efetiva. Oito em cada dez entrevistadas acreditam que a Lei Maria da Penha ainda não funciona, na prática, como deveria, enquanto 82% defendem que somente a legislação não é suficiente para combater a violência de gênero.
Entre as medidas consideradas mais importantes para reduzir os casos de violência estão o fortalecimento da rede de apoio às vítimas, com assistência psicológica, jurídica e abrigos (91%), o endurecimento da punição aos agressores (91%), a melhoria na aplicação das leis (90%), campanhas de prevenção e educação (89%) e a ampliação dos canais de denúncia (89%).
A pesquisa ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, em todas as regiões do país, por meio de entrevistas digitais. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
Onde denunciar
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180, que funciona gratuitamente em todo o país. Em casos de emergência ou flagrante, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar, pelo 190. Também é possível registrar ocorrência nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), além de procurar o Ministério Público, a Defensoria Pública e demais órgãos da rede de proteção.
Com informações do G1*
Por Leidy Amaral, da redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Divulgação/internet






