O início do verão amazônico já altera as condições climáticas em Manaus e em outras regiões do Amazonas. Caracterizado pela redução das chuvas entre julho e novembro, o período de estiagem deste ano deve ser marcado por temperaturas acima da média histórica, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Além do calor mais intenso, especialistas alertam para a possibilidade de diminuição das precipitações, aumento do risco de queimadas e impactos sobre os rios, a agricultura e a qualidade do ar.
El Niño influencia o clima na Amazônia
De acordo com o boletim mais recente do Climate Prediction Center (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno El Niño já está estabelecido no Oceano Pacífico.
A previsão indica 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Embora o termo “super El Niño” seja utilizado popularmente para esses episódios, ele não constitui uma classificação científica oficial.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o aquecimento observado em Manaus resulta da combinação entre a redução das chuvas característica do verão amazônico e o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial provocado pelo El Niño.
A especialista explica que a menor cobertura de nuvens favorece maior incidência de radiação solar, contribuindo para o aumento da temperatura na superfície.
Chuvas abaixo da média podem aumentar risco de queimadas
As projeções climáticas também apontam possibilidade de precipitações abaixo da média em parte do Amazonas durante os próximos meses.
Segundo especialistas, o período entre agosto e outubro costuma concentrar as condições mais secas na região, favorecendo a ocorrência de incêndios florestais e acelerando a vazante dos rios.
Apesar do cenário, os meteorologistas destacam que ainda não é possível afirmar que 2026 repetirá os impactos registrados durante as estiagens severas de 2023 e 2024, já que a intensidade dos efeitos dependerá da evolução das condições atmosféricas ao longo dos próximos meses.
Ilha de calor intensifica temperaturas em Manaus
Além dos fatores climáticos, o fenômeno conhecido como ilha de calor urbana também contribui para o aumento da temperatura na capital amazonense.
Estudos apontam que Manaus apresenta temperatura média cerca de 1,74°C superior à das áreas de floresta ao redor, podendo ultrapassar 3°C em alguns pontos da cidade.
Em regiões com maior concentração de edificações e pavimentação, a diferença em relação às áreas verdes pode chegar a 10°C, devido à absorção e retenção de calor por materiais como concreto e asfalto.
Altas temperaturas exigem cuidados com a saúde
O calor intenso também aumenta os riscos à saúde, especialmente em relação à exposição prolongada ao sol.
Segundo a dermatologista Suzi Maron, a combinação entre altas temperaturas, umidade elevada e radiação ultravioleta favorece o surgimento de queimaduras solares, manchas na pele, melasma, envelhecimento precoce, além de agravar quadros de acne, rosácea, dermatites e infecções por fungos.
Entre as recomendações estão o uso diário de protetor solar, reaplicação durante o dia, hidratação frequente, utilização de chapéus, roupas com proteção UV, óculos escuros e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
Prefeitura anuncia ações para o período de estiagem
Para o enfrentamento dos efeitos do verão amazônico, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SemmasClima) informou que irá ampliar as ações preventivas durante o período seco.
Entre as medidas previstas estão o aumento da frota de caminhões-pipa utilizados na irrigação de áreas verdes, a execução da Operação Estiagem, manutenção da arborização urbana, podas preventivas, adubação e ações voltadas à redução do risco de incêndios em áreas de vegetação.
O município também informou que seguirá executando as ações previstas no Plano de Ação Climática, voltadas à conservação ambiental e à adaptação às mudanças do clima.
Segundo semestre terá monitoramento das condições climáticas
As previsões meteorológicas indicam que o segundo semestre de 2026 deverá ser acompanhado com atenção devido à combinação entre o período de estiagem e a influência do El Niño.
O monitoramento das condições climáticas será importante para acompanhar possíveis impactos sobre os recursos hídricos, a qualidade do ar e a ocorrência de queimadas no Amazonas.






