Manaus registra aumento de mortes no trânsito e motociclistas lideram vítimas

Dados do IMMU apontam crescimento de 46,7% nas mortes no trânsito da capital amazonense entre janeiro e maio de 2026. Motociclistas representam quase metade dos óbitos registrados.

O trânsito de Manaus registrou aumento no número de mortes em 2026, com maior impacto entre motociclistas. Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) mostram que 110 pessoas morreram em acidentes de trânsito entre janeiro e maio deste ano, um crescimento de 46,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 75 mortes.

O mês de março concentrou o maior número de vítimas, com 25 óbitos.

O caso do motociclista Renato Teixeira de Jesus, de 38 anos, morto em maio após ser atingido por um micro-ônibus no bairro Nova Esperança, Zona Oeste da capital, chamou atenção para os riscos envolvendo cruzamentos e conversões.

Imagens de segurança registraram o momento em que o veículo realizou uma conversão à direita e atingiu o motociclista. Renato morreu no local.

Motociclistas representam maior parte das vítimas

Entre os 89 óbitos registrados no primeiro quadrimestre de 2026, 43 eram motociclistas, o equivalente a 48% das mortes.

Na comparação com 2025, quando 30 motociclistas morreram no mesmo período, houve aumento de 40%.

Os pedestres aparecem em seguida, com 27 vítimas, representando 30% dos registros. Juntos, motociclistas e pedestres correspondem a 79% das mortes no trânsito da capital.

Acidentes com motos pressionam rede de saúde

O aumento das ocorrências também impactou os atendimentos na rede pública.

Entre os dias 1º e 19 de maio, 960 vítimas de acidentes envolvendo motocicletas deram entrada no sistema de saúde do Amazonas, representando 63,9% dos atendimentos relacionados ao trânsito no período.

Em abril, foram registrados 1.551 atendimentos envolvendo motos, de um total de 2.421 ocorrências de trânsito.

Atualmente, cerca de 75% dos leitos públicos estariam ocupados por vítimas de acidentes de trânsito.

Cruzamentos e infraestrutura são apontados como fatores de risco

Especialistas em mobilidade urbana apontam que a combinação entre problemas de infraestrutura e comportamento dos condutores contribui para o aumento dos acidentes.

Entre os principais problemas citados estão falhas na sinalização, falta de manutenção das vias, iluminação insuficiente, dificuldades de drenagem e ausência de estrutura adequada para pedestres.

Também são apontados como fatores de risco o excesso de velocidade, desrespeito à sinalização e falta de atenção durante conversões.

Fiscalização registra centenas de infrações

Durante a Operação Segurança Presente, realizada entre os dias 15 e 18 de maio pelo Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), foram registradas 728 infrações em Manaus e na rodovia AM-070.

Cerca de 60% das irregularidades envolveram motocicletas.

Entre as infrações identificadas estão condução sem capacete, transporte de passageiro sem equipamento de segurança, falta de habilitação, uso de calçado inadequado e ausência de itens obrigatórios.

Também foram registrados casos de direção sob efeito de álcool e recusas ao teste do bafômetro.

Vias com maior número de mortes

Dados acumulados entre 2024 e 2026 apontam algumas das vias com maior registro de mortes na capital:

  • Rodovia Torquato Tapajós: 36 mortes
  • Rodoanel Metropolitano: 31 mortes
  • Avenida Governador José Lindoso: 26 mortes
  • Avenida Autaz Mirim: 26 mortes

A Zona Norte concentra o maior número de registros, com 27 mortes. As zonas Leste e Centro-Sul somam 41 óbitos.

Especialistas defendem ações integradas

Para especialistas, a redução dos acidentes depende de ações envolvendo engenharia de trânsito, fiscalização e educação permanente.

Entre as medidas citadas estão o uso de tecnologia, como videomonitoramento e fiscalização eletrônica, além de melhorias na sinalização e no planejamento urbano.