Mosca-da-carambola: oito cidades do AM continuam sob quarentena até 2027

Ministério da Agricultura prorrogou emergência fitossanitária; Manaus está entre os municípios com restrições

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou até novembro de 2027 o estado de emergência fitossanitária para conter o avanço da mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae) no Brasil. A medida, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (3), também abrange os estados do Amapá, Pará e Roraima.

No Amazonas, oito municípios permanecem sob quarentena: Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Manaus, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Silves. Outros 53 municípios estão classificados como zona de tampão, onde são adotadas medidas preventivas para impedir a chegada e a propagação do inseto.

A renovação foi oficializada pela Portaria MAPA nº 964, assinada em 29 de outubro. Segundo o Ministério, a decisão considera o risco de disseminação da praga quarentenária, que ameaça principalmente a produção de frutas.

Presença da praga no Amazonas

A ocorrência da mosca-da-carambola foi confirmada no Amazonas em 2025, no município de Rio Preto da Eva. Após a identificação, as ações de vigilância e controle foram intensificadas no estado.

Em agosto de 2026, uma portaria da Secretaria de Defesa Agropecuária atualizou a classificação das áreas de risco no território amazonense, dentro das estratégias para evitar o avanço do inseto.

A fiscalização também alcança o transporte de frutas. Em fevereiro deste ano, a Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf) iniciou operações para impedir o deslocamento irregular de produtos que podem hospedar a praga.

As ações incluem fiscalizações em pontos estratégicos, como o Porto da Ceasa, em Manaus, com participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Ministério da Agricultura.

Armadilhas e estratégias de combate

O monitoramento da mosca-da-carambola em território nacional utiliza aproximadamente 12 mil armadilhas dos modelos Jackson e McPhail, distribuídas pelas áreas sob quarentena. Os equipamentos permitem identificar a presença do inseto e acompanhar possíveis deslocamentos.

Entre as medidas adotadas para controlar a população da praga estão:

  • Pulverização com iscas tóxicas;

  • Aniquilamento de machos;

  • Coleta e destruição de frutos hospedeiros;

  • Fiscalização do transporte de frutas;

  • Campanhas de educação fitossanitária.

Até a atualização divulgada pelo Mapa em 28 de agosto de 2026, não havia um balanço público consolidado sobre a quantidade de focos identificados ou de exemplares capturados no Amazonas durante o ano.

Quais frutas podem ser atingidas?

A mosca-da-carambola está entre as principais ameaças à fruticultura brasileira. Embora a carambola seja um de seus hospedeiros mais conhecidos, o inseto pode atacar mais de 40 espécies de frutas.

Entre elas estão manga, goiaba, acerola, mamão, caju, jambo e laranja.

O desenvolvimento da praga leva de 22 a 28 dias e passa pelas fases de ovo, larva, pupa e adulto. As fêmeas depositam os ovos dentro dos frutos, onde as larvas se alimentam da polpa. O processo pode provocar apodrecimento e queda prematura.

Além dos prejuízos nas plantações, a presença do inseto pode levar à imposição de restrições ao transporte e à comercialização de frutas, especialmente para localidades que não registram a ocorrência da praga. O deslocamento de frutos infestados é uma das principais formas de disseminação a longas distâncias.

Histórico da mosca-da-carambola no Brasil

Identificada pela primeira vez no país em 1996, no município de Oiapoque, no Amapá, a mosca-da-carambola é alvo de ações permanentes de vigilância e controle.

A manutenção da emergência fitossanitária busca limitar a expansão do inseto e proteger regiões produtoras, diante dos riscos que a praga representa para a agricultura e o comércio de frutas.

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Reprodução