As mulheres continuam recebendo, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado brasileiro, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, 27, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O levantamento analisou dados de cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais funcionários entre 2023 e 2025.
Apesar do crescimento da participação feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial não apresentou redução no período. Desde a implementação da lei de igualdade salarial, em 2023, o número de mulheres empregadas aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões.
O avanço também foi registrado entre mulheres negras, cujo número de empregadas cresceu 29% no mesmo intervalo, chegando a 4,2 milhões. Ainda assim, a diferença de renda permanece significativa.
Na média geral, as mulheres recebem R$ 3.965,94 por mês, enquanto os homens têm rendimento médio de R$ 5.039,68. No salário de admissão, a diferença também aumentou, passando de 13,7% em 2023 para 14,3% em 2025.
A desigualdade salarial tem apresentado crescimento gradual. No primeiro relatório, divulgado em 2024, a diferença era de 19,4%. Desde então, os índices vêm subindo até atingir o patamar atual de 21,3%.
O estudo também aponta que a desigualdade varia conforme o porte das empresas e o setor econômico. Em companhias maiores, onde os salários são mais elevados, a diferença tende a ser mais acentuada. Indústria e agropecuária concentram os maiores distanciamentos, enquanto comércio e serviços apresentam diferenças menores, ainda que persistentes.
No recorte por raça, o cenário é ainda mais desigual. Mulheres negras estão na base da renda, com média salarial inferior à de mulheres não negras e também à dos homens, independentemente da raça. Medidas internas adotadas pelas empresas tiveram avanço, como oferta de jornada flexível e auxílio-creche, mas ainda não foram suficientes para reduzir a desigualdade de renda.
Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho, a redução dessa diferença poderia gerar impacto econômico significativo, ampliando o consumo e movimentando a economia.
A legislação brasileira determina igualdade salarial para trabalho de igual valor e exige que empresas adotem mecanismos de transparência, fiscalização e combate à discriminação. Ainda assim, os dados indicam que a equiparação de rendimentos segue como desafio no mercado de trabalho.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






