Pagamentos do Banco Master a escritório ligado à família de Moraes chegam a R$ 80 milhões

Dados da Receita Federal enviados à CPI do Senado apontam repasses em 2024 e 2025; escritório afirma que prestou serviços jurídicos e de consultoria
Foto: André Dusek/Estadão

Documentos da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou pagamentos que somam R$ 80,2 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, ao longo de dois anos. As informações foram encaminhadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o crime organizado.

Os dados apontam que, em 2024, foram registrados 11 pagamentos individuais no valor de R$ 3.646.529,72 cada, totalizando R$ 40.111.826,92 no período. Já em 2025, o montante declarado pelo banco repete o mesmo valor, mas sem detalhamento mensal, chegando ao mesmo total anual.

A documentação foi revelada em meio às apurações da CPI, que analisa movimentações financeiras e possíveis relações entre instituições privadas e estruturas sob investigação no Congresso.

A defesa do empresário Daniel Vorcaro, responsável pelo banco, foi procurada, mas informou que não se manifestaria sobre o caso.

Serviços declarados pelo escritório

Após a divulgação do contrato entre o banco e o escritório, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados se pronunciou por meio de nota. A banca afirmou que prestou serviços de consultoria jurídica e atuação estratégica ao Banco Master.

Segundo o escritório, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 foram realizadas 94 reuniões de trabalho, sendo 79 presenciais, na sede da instituição financeira. Para execução das atividades, foram mobilizados 15 advogados, além da contratação de três escritórios especializados que atuaram sob coordenação da equipe principal.

Na nota, a banca também declarou que não atuou em processos do banco no Supremo Tribunal Federal.

“O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”, informou o comunicado divulgado anteriormente.

Contexto da investigação no Senado

As informações foram incluídas no material analisado pela CPI do Senado, que investiga a atuação de organizações criminosas e suas possíveis conexões financeiras. O envio dos dados pela Receita Federal amplia o escopo das apurações, ao detalhar valores declarados por empresas privadas.

A comissão busca entender a natureza dos contratos, a prestação dos serviços e a regularidade das operações declaradas. Até o momento, não há conclusão oficial da CPI sobre eventuais irregularidades relacionadas aos pagamentos.

Posicionamento e próximos passos

O escritório reafirmou que possui atuação consolidada no mercado jurídico e que os serviços prestados ao banco seguiram parâmetros técnicos e contratuais.

“O Barci de Moraes Sociedade de Advogados tem uma trajetória de quase duas décadas prestando serviços altamente qualificados para grandes clientes, unindo visão jurídica e abordagem estratégica”, afirmou a banca na mesma nota.

A CPI segue com a análise dos documentos e pode convocar envolvidos para prestar esclarecimentos. O andamento das investigações deve definir se haverá encaminhamentos para outros órgãos de controle ou medidas adicionais no âmbito do Senado.


Com informações da Folha de São Paulo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus