O crescimento de formas alternativas de parcelamento está mudando a estratégia de vendas no comércio digital brasileiro. Com consumidores enfrentando limites reduzidos no cartão de crédito ou evitando o crédito rotativo, empresas passaram a investir em modalidades como boleto parcelado e operações combinadas com Pix para ampliar a conversão de vendas, principalmente em produtos de maior valor, como cursos, mentorias e infoprodutos.
Segundo o especialista financeiro e CEO da TMB, Reinaldo Boesso, a mudança acompanha o comportamento do consumidor, que mantém o interesse na compra, mas busca alternativas ao crédito tradicional.
“Existe demanda, existe intenção de compra, mas muitas vezes a transação não acontece porque o cliente não quer comprometer o cartão ou simplesmente não tem limite disponível. Por isso, soluções como boleto parcelado e estruturas híbridas com Pix ganharam força, mas isso exige inteligência de crédito e controle rigoroso de risco”, afirma.
Pix lidera pagamentos, mas cartão segue relevante
Dados do Banco Central divulgados em abril de 2026 mostram que o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no segundo semestre de 2025, totalizando 42,9 bilhões de operações. No mesmo período, cartões de crédito, débito e pré-pagos representaram 30,4% das transações, com 23,8 bilhões de operações, enquanto o número de cartões de crédito ativos chegou a 253,8 milhões.
Os números indicam que o crédito tradicional permanece relevante, mas divide espaço com novas modalidades de pagamento voltadas à flexibilidade do consumidor.
Empresas assumem análise de crédito e cobrança
O avanço do parcelamento fora do cartão acompanha modelos inspirados no conceito buy now, pay later, adaptados ao mercado brasileiro por meio do boleto parcelado e, em alguns casos, da integração com o Pix.
Nesse formato, a empresa passa a assumir atividades como análise de crédito, cobrança, prevenção a fraudes e gestão do fluxo de caixa.
Segundo Boesso, a oferta dessas modalidades exige estrutura financeira.
“Não se trata mais de oferecer mais uma forma de pagamento. Estamos falando de infraestrutura financeira. Se a operação não tiver tecnologia, régua de cobrança, leitura de comportamento e mecanismos antifraude, a conversão extra pode virar inadimplência estrutural.”
Educação digital impulsiona demanda
O especialista afirma que a procura por parcelamento sem cartão é mais frequente no setor de educação digital, onde cursos, mentorias e formações costumam ter maior valor.
Segundo ele, muitos consumidores preferem preservar o limite do cartão para despesas futuras ou já possuem parte do crédito comprometida, tornando o boleto parcelado uma alternativa para concluir a compra. O Pix também pode complementar esse processo em determinadas operações.
Debate regulatório deve crescer
Para Reinaldo Boesso, o crescimento dessas modalidades deve ampliar as discussões sobre regulação do crédito digital.
Ele afirma que novas soluções financeiras precisam ser avaliadas considerando seu funcionamento e não apenas os riscos envolvidos, para evitar restrições que limitem alternativas de acesso ao consumo.
A expectativa é que, nos próximos anos, boleto parcelado, Pix, cartão de crédito e outras formas de pagamento convivam de acordo com o perfil do consumidor e das empresas.
“Empresas que conseguirem equilibrar acesso ao consumo, controle de risco e previsibilidade financeira devem sair na frente no mercado digital”, conclui o especialista.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






