Três pesquisadores indígenas da Universidade Federal do Amazonas foram selecionados para o Programa Guatá, iniciativa da Embaixada da França no Brasil em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior voltada à mobilidade acadêmica internacional.
Os estudantes irão desenvolver pesquisas em universidades francesas com temas ligados à Amazônia, ancestralidade indígena, mudanças climáticas e memória dos povos tradicionais. A seleção marca a participação de pesquisadores indígenas da Ufam em programas internacionais de formação e pesquisa.
A pesquisadora Jane Delgado foi selecionada para a Université Paris 8 Vincennes Saint-Denis, onde irá desenvolver estudo sobre o matriarcado no Alto Rio Negro e a memória do povo Baré.
Segundo ela, a experiência permitirá ampliar o acesso a documentos históricos relacionados à região amazônica.
“Poder acessar diretamente acervos franceses sobre o Alto Rio Negro permitirá compreender melhor os processos históricos que atravessam meu território de pesquisa e contribuir para que essas memórias circulem em outros espaços acadêmicos”, afirmou Jane.
Na área de ciências ambientais, Daiane Monteiro de Oliveira foi selecionada para a Université Paris-Saclay. A pesquisa será voltada ao estudo das mudanças climáticas na Amazônia Central por meio da análise de isótopos em anéis de árvores.
O estudo busca contribuir para a reconstrução da variabilidade hidroclimática da região amazônica utilizando isótopos estáveis de oxigênio, em uma área com escassez de séries climáticas de longa duração.
Daiane afirmou que a participação no programa representa a possibilidade de ampliar a presença da produção científica amazônica em espaços internacionais.
“Quero incentivar cada estudante do interior do Amazonas a acreditar na força do seu estudo e da sua identidade; que a minha experiência sirva de combustível para que outros jovens acreditem que nenhum sonho é grande demais e que esses espaços também pertencem a eles”, declarou Daiane.
O pesquisador Maickson dos Santos Serrão realizará atividades na Université Paris Nanterre. O trabalho será desenvolvido a partir do podcast Pavulagem, projeto que utiliza narrativas indígenas e histórias de seres encantados da floresta amazônica para discutir ancestralidade e memória.
Segundo Maickson, o intercâmbio permitirá ampliar o diálogo com pesquisadores indígenas de diferentes países.
“Acredito que quando a gente vê outras perspectivas, quando dialogamos com os indígenas que estão nessas universidades e com os professores que têm outro olhar e desconhecem o nosso universo, a gente aprende muito e se conecta. E acaba percebendo coisas que antes não via”, afirmou Maickson .
A reitora da Ufam, Tanara Lauschner, formalizou apoio institucional aos doutorandos selecionados no edital do Programa Guatá 2026.
A universidade informou que irá disponibilizar apoio financeiro de R$ 7 mil para cada estudante aprovado, com objetivo de auxiliar nas despesas relacionadas à mobilidade internacional.
Além do recurso financeiro, a instituição também garantiu oferta de cursos gratuitos de língua francesa e acompanhamento acadêmico e administrativo por meio da Assessoria de Relações Internacionais (Arii) e do Departamento de Políticas Afirmativas (DPA).
Os pesquisadores já participam de aulas de francês no Centro de Estudos de Línguas da Ufam como parte da preparação para o intercâmbio acadêmico.
A assessora de Relações Internacionais e Interinstitucionais da universidade, Sheila Mota, afirmou que a internacionalização tem papel estratégico nas políticas acadêmicas da instituição.
“Quando integrada de forma consistente às estratégias acadêmicas, a internacionalização deixa de ser apenas mobilidade e passa a ser um vetor de transformação”, declarou.
O Programa Guatá busca ampliar a participação de pesquisadores indígenas brasileiros em programas internacionais de ensino e pesquisa, fortalecendo a circulação de estudos ligados aos territórios amazônicos e às populações tradicionais.
Com informações da Universidade Federal do Amazonas -UFAM*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






