Petróleo cai 10% após EUA adiarem ataques ao Irã e sinalizarem negociações

Decisão de Donald Trump reduz pressão no mercado em meio a conflito no Oriente Médio

Os preços do petróleo registraram queda de cerca de 10% nesta segunda-feira (23), após os Estados Unidos anunciarem a suspensão temporária de ataques contra infraestruturas energéticas do Irã. A decisão foi divulgada pelo presidente Donald Trump, que citou conversas recentes com o governo iraniano sobre uma possível resolução das hostilidades no Oriente Médio.

O contrato do Brent recuou US$ 11,17, ou 10%, sendo negociado a US$ 101,02 por barril. Já o petróleo bruto WTI caiu US$ 9,28, ou 9,5%, para US$ 88,95. A movimentação ocorre após semanas de alta, com o Brent tendo atingido na sexta-feira o maior nível desde julho de 2022.

Volatilidade e impacto da guerra

A oscilação nos preços elevou a volatilidade dos contratos futuros de petróleo para os maiores níveis desde abril de 2022. O mercado reage à guerra no Oriente Médio, que se aproxima da quarta semana, e às incertezas sobre oferta global.

O conflito já atingiu instalações de energia na região do Golfo e afetou o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo.

Apesar das restrições, dois navios com destino à Índia atravessaram o estreito transportando gás liquefeito de petróleo. O tráfego geral segue comprometido.

Produção afetada e crise de abastecimento

Analistas estimam que a produção de petróleo no Oriente Médio tenha recuado entre 7 e 10 milhões de barris por dia. Segundo Fatih Birol, a crise atual supera os choques do petróleo registrados na década de 1970.

A escassez levou à flexibilização temporária de sanções dos Estados Unidos sobre petróleo russo e iraniano já em trânsito. Refinarias da Índia e de outros países asiáticos avaliam retomar compras de petróleo do Irã.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que é improvável a liberação de mais petróleo da reserva estratégica americana para conter os preços.

Tensões e ameaças na região

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que poderá atacar usinas de energia em Israel e instalações que abastecem bases americanas caso os Estados Unidos avancem com ações militares. O anúncio ocorreu após ameaças anteriores de Washington contra a rede elétrica iraniana.

Trump declarou que houve conversas “muito boas e produtivas” entre os dois países, com foco em uma solução para o conflito. Autoridades iranianas, no entanto, negam a existência de negociações.

Impactos globais

A crise também afeta outros mercados. Na Rússia, o porto de Ust-Luga retomou operações após alerta de ataque com drones, enquanto o terminal de Primorsk segue fechado. Na Líbia, o campo de El Feel está paralisado após danos em oleoduto, com previsão de retomada em até dez dias.

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve, Stephen Miran, afirmou que ainda não é possível medir o impacto da crise energética sobre a inflação, mas indicou que cortes de juros seguem em avaliação.

No Japão, o governo avalia medidas para conter o impacto da alta dos combustíveis, incluindo possível intervenção no mercado de petróleo. Já a China limitou o reajuste de preços de gasolina e diesel para reduzir efeitos sobre consumidores.

O setor aéreo também registra impacto, com fechamento de centros no Oriente Médio, como Dubai, Doha e Abu Dhabi, e cancelamentos que deixaram passageiros retidos.

 

Com informações da Reuters*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus