Piloto de lancha que naufragou com 80 passageiros tem prisão mantida após se entregar à polícia

Comandante ficou mais de um mês foragido; acidente no Encontro das Águas deixou três mortos e cinco desaparecidos

O comandante Pedro José da Silva Gama, piloto da lancha que naufragou em Manaus, teve a prisão mantida após audiência de custódia realizada nesta terça-feira, 17. Ele se apresentou à polícia na segunda-feira, 16, após permanecer mais de um mês foragido.

O acidente ocorreu no dia 13 de fevereiro, quando a embarcação Lima de Abreu XV saiu da capital com destino ao município de Nova Olinda do Norte e afundou nas proximidades do Encontro das Águas. Cerca de 80 pessoas estavam a bordo. Três mortes foram confirmadas e cinco pessoas seguem desaparecidas.

A audiência foi realizada no Fórum Ministro Henoch Reis. De acordo com o Tribunal de Justiça do Amazonas, a prisão foi homologada pela juíza plantonista, que não identificou irregularidades na detenção. Após o procedimento, Pedro Gama deve ser encaminhado para uma unidade prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Segundo a defesa, o investigado decidiu se apresentar de forma espontânea e deve colaborar com as investigações.

“O Pedro se apresentou espontaneamente na delegacia, ele nunca teve a intenção de se evadir da Justiça, no entanto ele estava totalmente assustado, fragilizado, agora ele já se apresentou e pretende colaborar com as investigações”, afirmou a advogada.

O comandante havia sido detido no dia do acidente, mas foi liberado após pagamento de fiança. No dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou a prisão preventiva, com o objetivo de garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.

O acidente

A embarcação, da empresa Lima de Abreu Navegações, partiu de Manaus por volta das 12h30 do dia 13 de fevereiro. Durante o trajeto, naufragou na região do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram.

Vídeos registrados por passageiros mostram pessoas à deriva, muitas utilizando coletes salva-vidas ou se apoiando em objetos enquanto aguardavam socorro. As causas do acidente ainda são investigadas.

Após o naufrágio, embarcações que estavam na região iniciaram o resgate, seguido por uma operação coordenada de salvamento. Um dos episódios que chamou atenção foi o resgate de um bebê recém-nascido, colocado dentro de um recipiente para evitar contato direto com a água. A criança e a mãe foram socorridas com vida.

Testemunhas relataram momentos de tensão antes do acidente. Uma passageira afirmou que chegou a alertar o piloto sobre as condições da água, com formação de ondas fortes na região. Entre as vítimas estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos, e Fernando Grandêz, de 39 anos.

A empresa Lima de Abreu Navegações informou que a embarcação estava regularizada e declarou que está colaborando com as investigações.

Com Informações do G1 Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus