Presidente da Comissão de Relações Internacionais da OBA-AM analisa situação na Venezuela e impactos regionais

O sociólogo e presidente da Comissão de Relações Internacionais da OBA-AM participou do programa De Olho na Cidade e comentou sobre a crise venezuelana, a soberania nacional e os riscos de intervenções unilaterais em países soberanos.

Durante participação no programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus, o sociólogo e presidente da Comissão de Relações Internacionais da OBA-AM analisou a situação da Venezuela, ressaltando os limites da intervenção entre Estados e a importância de respeitar a soberania nacional mesmo diante de crises humanitárias e regimes autoritários.

Segundo o especialista, embora o regime venezuelano seja amplamente reconhecido como autoritário e responsável por uma grave crise humanitária, “isso não autoriza que outro país intervenha militarmente ou julgue um chefe de Estado em seu próprio território, à margem das convenções internacionais”. Ele enfatizou que tratados como a Carta da ONU e a Carta de Genebra estabelecem limites claros à ação de um Estado sobre outro.

“O respeito à soberania nacional continua sendo um dos pilares da ordem internacional. Rasgar esses princípios significa abrir precedentes perigosos, capazes de desestabilizar toda a arquitetura diplomática global”, afirmou.

O sociólogo também destacou a dimensão humanitária da crise, lembrando que quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015.

“A solidariedade a esse povo é legítima e necessária. O que não se pode aplaudir é a ideia de que um país se arrogue o direito de invadir outro, retirar à força um governante — ainda que ilegítimo — e impor uma nova ordem política”, explicou.

Ele citou exemplos históricos para ilustrar os riscos de intervenções externas: “Líbia em 2011 e Iraque em 2006 mostram que a imposição externa gera caos institucional, violência prolongada e instabilidade regional”. O sociólogo também comentou sobre a seletividade em ações internacionais:

“Regimes autoritários aliados economicamente aos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, não sofrem o mesmo tipo de pressão, revelando que muitas vezes o critério central não é a defesa da democracia, mas interesses estratégicos, especialmente econômicos”.

No contexto latino-americano, o especialista reforçou a importância de preservar processos democráticos internos.

“Países como Chile, Colômbia, Argentina e Paraguai seguem seus próprios processos democráticos. A preservação da soberania desses Estados é fundamental para a estabilidade regional. A democracia não pode ser exportada por tanques ou decretos estrangeiros”, afirmou.

Ele lembrou ainda que a Venezuela já teve períodos democráticos relevantes, a partir da década de 1950, com líderes como Rómulo Betancourt e Carlos Andrés Pérez.

“O caminho democrático faz parte da história do país e precisa ser retomado pelo próprio povo venezuelano — não imposto de fora para dentro”, concluiu.

Durante a entrevista, o sociólogo destacou que defender o fim da ditadura não pode significar aceitar a violação do Direito Internacional, alertando que

“caso contrário, o mundo passa a ser regido pela lógica do mais forte, e não pelas regras que dizem proteger a soberania, a paz e a autodeterminação dos povos”.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.