Primeiros réus do massacre do Compaj são condenados a mais de 100 anos de prisão em Manaus

Sentença abre série de julgamentos sobre a chacina que deixou 56 mortos no sistema prisional do Amazonas

A Justiça do Amazonas condenou Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira pelos crimes relacionados ao massacre ocorrido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, no dia 1º de janeiro de 2017, que resultou na morte de 56 detentos. A decisão foi publicada na quinta-feira (15) pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.

Anderson Silva do Nascimento foi condenado a 109 anos e 10 meses de prisão. Já Geymison Marques de Oliveira recebeu pena de 111 anos e 9 meses de prisão. O julgamento ocorreu entre os dias 9 e 13 de dezembro de 2025 e é o primeiro de uma série de 22 processos que tratam do episódio.

O julgamento contou com um colegiado formado por três magistrados e a atuação de três promotores do Ministério Público do Estado do Amazonas. Anderson Silva do Nascimento participou presencialmente da sessão, pois já estava preso no sistema prisional da capital. Geymison Marques de Oliveira acompanhou o julgamento por videoconferência, uma vez que respondia ao processo em liberdade. Após a condenação, a Justiça expediu mandado de prisão contra ele.

Os dois réus foram condenados por homicídio qualificado, praticado 56 vezes, com agravantes como motivo torpe, ligado à disputa entre facções criminosas, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Também pesaram na sentença crimes de tentativa de homicídio, vilipêndio de cadáver, em referência aos atos de esquartejamento e decapitação, tortura, praticada antes das mortes, e organização criminosa, pela atuação estruturada dentro de facção.

Este processo é o primeiro a ser concluído entre os que investigam o massacre do Compaj. Os outros 21 casos relacionados ao episódio devem ser julgados ao longo de 2026, conforme cronograma da 2ª Vara do Tribunal do Júri.

 

Com Informações do Ministério Público do Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus