Projeto instala estação meteorológica no Mamirauá para monitorar clima na Amazônia

Pesquisadores e moradores ribeirinhos instalaram a primeira estação meteorológica do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia na região do Lago Tefé, no Amazonas. A iniciativa prevê a ampliação da rede de monitoramento climático na Amazônia Central.

Pesquisadores do Instituto Mamirauá e moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha instalaram uma estação meteorológica na região do Lago Tefé, no município de Alvarães (AM). A ação integra o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, que busca ampliar o monitoramento climático na região e fortalecer a adaptação das comunidades às mudanças climáticas.

Estação coleta dados meteorológicos na região do Lago Tefé

A unidade foi instalada na Floresta Nacional de Tefé, área localizada no município de Alvarães, nas proximidades do Lago Tefé.

O equipamento irá registrar informações sobre temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e volume de chuvas. A previsão é de que outras quatro estações sejam instaladas próximas aos lagos Coari, Janauacá, Monte Alegre e Serpa.

A iniciativa é conduzida pelo Instituto Mamirauá, por meio do Grupo de Geociências e Dinâmicas Ambientais na Amazônia.

Monitoramento busca compreender impactos climáticos

Segundo os pesquisadores envolvidos, a medição das variáveis meteorológicas é considerada fundamental para compreender processos ambientais como a variação do nível dos lagos, a ocorrência de secas e cheias e o funcionamento dos ecossistemas amazônicos.

O projeto Lagos Sentinelas da Amazônia foi desenvolvido a partir de 2024 com o objetivo de monitorar, a longo prazo, as dinâmicas socioambientais e das águas amazônicas diante de eventos climáticos extremos, como secas históricas registradas recentemente na região.

De acordo com os coordenadores, os dados coletados devem contribuir para alimentar modelos climáticos e ecológicos, além de subsidiar políticas públicas voltadas à redução da vulnerabilidade das populações que dependem dos ecossistemas aquáticos.

Monitoramento participativo envolve comunidade

O projeto adota metodologia de monitoramento participativo, envolvendo moradores ribeirinhos na definição dos locais de instalação e no acompanhamento das medições.

Na Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, os moradores participaram da escolha do ponto de instalação da estação meteorológica e discutiram os possíveis usos das informações coletadas, incluindo atividades educativas nas escolas locais.

Financiamento e parcerias

A iniciativa é financiada por meio da chamada Pró-Amazônia, vinculada ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O projeto também conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, WCS, Fapeam, Sedecti e Governo do Amazonas, além da participação de instituições nacionais e internacionais.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.