Safra de cana impulsiona oferta e derruba preço do etanol nas bombas

Biocombustível registrou queda de 5,6% em maio, a maior entre os combustíveis monitorados, segundo levantamento da Veloe e da Fipe

O avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil aumentou a oferta de etanol no mercado e provocou uma queda significativa nos preços do combustível em maio. De acordo com levantamento do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o etanol hidratado registrou recuo de 5,6% no período, o maior entre todos os combustíveis monitorados.

Com a redução, o preço médio nacional do etanol caiu para R$ 4,48 por litro, em um movimento de acomodação após as altas registradas nos meses de março e abril.

Segundo o estudo, a queda foi impulsionada pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, principal polo produtor do país. Com maior oferta disponível no mercado, o combustível ganhou competitividade frente à gasolina em diversos estados.

“O avanço da safra ampliou a oferta de etanol e favoreceu a redução dos preços nas bombas, aumentando a competitividade do biocombustível frente à gasolina em diversos mercados regionais”, aponta o levantamento.

Entre os estados, o Distrito Federal apresentou a maior redução do país, com queda de 10% e preço médio de R$ 4,52 por litro. Na sequência aparecem São Paulo (-7,2%), Minas Gerais (-6%), Paraná (-5,1%) e Mato Grosso (-4,9%). Em São Paulo, principal mercado consumidor e produtor de etanol do Brasil, o combustível encerrou maio com média de R$ 4,20 por litro.

Outros combustíveis também recuaram

Além do etanol, os preços do diesel comum e do diesel S-10 registraram queda de 3,3% em relação a abril. Já as gasolinas comum e aditivada tiveram redução de 1%. O único combustível que apresentou aumento no período foi o gás natural veicular (GNV), que registrou alta de 0,3%.

Apesar do alívio observado nas bombas durante maio, os combustíveis fósseis ainda acumulam aumentos expressivos em 2026. O diesel S-10 lidera a alta no ano, com avanço de 16,8%, seguido pelo diesel comum, que acumula elevação de 16,6%.

A gasolina comum registra alta de 7,5% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, enquanto o etanol apresenta leve aumento de 0,3% no mesmo período. Segundo André Turquetto, CEO da Veloe, a ampliação da oferta ajudou a conter os preços, mas o mercado ainda sofre influência das oscilações internacionais do setor energético.

“Maio trouxe um movimento importante de acomodação dos preços, especialmente no etanol, impulsionado pelo avanço da safra e pela ampliação da oferta. Ainda assim, diesel e gasolina permanecem em patamares elevados no acumulado do ano”, afirmou.

Combustível pesa menos no orçamento

O levantamento também apontou melhora no poder de compra dos consumidores brasileiros. No primeiro trimestre de 2026, abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum comprometeu, em média, 5,5% da renda domiciliar das famílias brasileiras e 3,7% da renda das famílias nas capitais. Segundo a pesquisa, esses são os menores percentuais registrados para o período desde o início da série histórica, em 2017.

Apesar do resultado, permanecem diferenças regionais importantes, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o custo do abastecimento continua representando uma parcela maior do orçamento familiar.

 

Com Informações da Veloe e Fipe

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus