Três profissionais que deveriam cuidar da saúde de pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (Distrito Federal), foram presos sob forte suspeita de transformarem o ambiente hospitalar em um cenário de homicídios planejados e executados de forma sistemática. A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura que técnicos de enfermagem aplicaram substâncias letais e até produtos de limpeza em veias de pacientes, provocando paradas cardiorrespiratórias intencionais e deliberadas.
A ação criminosa — que já é tratada como homicídio doloso qualificado — ocorreu entre novembro e dezembro de 2025 e fez nascer a Operação Anúbis, coordenada pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP).
Como o crime foi executado
As investigações apontam que o técnico de enfermagem de 24 anos engrossava a rotina hospitalar, manipulando a administração de substâncias no sistema intravenoso das vítimas sem qualquer prescrição médica válida. Em um episódio chocante, ele teria até injetado um produto desinfetante de uso hospitalar diretamente na veia da paciente, fazendo isso mais de dez vezes, segundo a PCDF.
Segundo relatos oficiais, o suspeito teria utilizado o login de médicos no sistema interno do hospital para retirar insumos na farmácia e preparar as substâncias suspeitas de terem provocado as mortes, antes de escondê-las em seu jaleco e aplicar nas vítimas.
Participação de outras profissionais
A investigação revelou que o suspeito não teria agido sozinho. Duas outras técnicas de enfermagem, com 22 e 28 anos, também foram presas, sob suspeita de conivência e participação nos homicídios, seja auxiliando na preparação das substâncias, seja agindo de forma omissa diante das aplicações.
A polícia constatou que, após a aplicação das substâncias, os pacientes apresentavam paradas cardiorrespiratórias, momento em que os investigados aguardavam a reação para então realizar manobras de ressuscitação — em alguns casos simulando socorro — criando um falso cenário de atendimento.
Vítimas e sequência dos fatos
As três mortes investigadas ocorreram em datas distintas: duas em 17 de novembro de 2025 e outra em 1º de dezembro, todas na UTI do Hospital Anchieta. As vítimas tinham perfis variados:
uma professora aposentada de 75 anos;
um servidor público de 63 anos;
e um homem de 33 anos, servidor dos Correios, que deixou esposa e filho pequeno.
A Polícia Civil não descarta a possibilidade de que haja outras vítimas ainda não identificadas, uma vez que uma das técnicas também teria trabalhado em outras unidades de saúde, incluindo UTI neonatal em Brasília, ampliando as investigações para outros casos clínicos suspeitos.
Hospital identifica mortes atípicas e aciona autoridades
O caso foi levado ao conhecimento da polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após uma análise interna identificar padrões atípicos nos óbitos dentro da UTI. Por meio de um comitê de investigação interna, a instituição compilou evidências e encaminhou à PCDF, o que resultou em mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos nos últimos dias em áreas como Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
Em nota oficial, o hospital declarou que tomou a iniciativa da investigação interna por seu compromisso com a segurança dos pacientes e a transparência, colaborando “de forma irrestrita e incondicional” com as autoridades policiais.
Frieza e ausência de arrependimento
Durante depoimentos, os suspeitos mostraram completa falta de arrependimento diante das provas colhidas, incluindo imagens de câmeras de segurança que os flagraram próximos às vítimas nos momentos das aplicações suspeitas. O delegado à frente da investigação classificou a frieza como um agravante no andamento do inquérito.
Em que fase está a investigação
Os envolvidos permanecem presos temporariamente, e a PCDF continua as apurações para identificar a dinâmica completa dos fatos, possíveis motivações e esclarecer se houve ou não a participação de outras pessoas além das já detidas.
Com informações do metrípoles, Correio Brasiliense, Sbt News*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






