Casos de feminicídio deixam marcas que vão além da violência contra a mulher. Em muitos casos, crianças e adolescentes ficam sem a mãe e passam a enfrentar uma série de desafios sociais, emocionais e até jurídicos — uma realidade que ainda recebe pouca atenção.
É nesse cenário que surge o projeto “Órfãos do Feminicídio”, desenvolvido pela Defensoria Pública do Amazonas. A iniciativa acompanha filhos de vítimas e busca garantir direitos básicos, como acesso à saúde, educação e apoio institucional.
Nesta segunda-feira, 23, o projeto foi apresentado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que avalia práticas em todo o país para possível inclusão em um banco nacional de iniciativas que podem ser replicadas em outros estados.
Durante a visita, foram detalhados os fluxos de atendimento e a atuação do Núcleo de Proteção e Defesa dos Direitos da Mulher, responsável pelo projeto. A análise considera critérios como efetividade, continuidade e possibilidade de aplicação em outras realidades. Para a defensora pública Caroline Braz, coordenadora do núcleo, a proposta é dar visibilidade a um grupo que muitas vezes fica fora das políticas públicas.
“A ideia é tirar esses órfãos da invisibilidade e garantir que sejam tratados como sujeitos de direito, com prioridade em áreas como saúde, educação e justiça”, afirmou.
Segundo ela, o reconhecimento nacional pode ampliar o alcance da iniciativa.
“É uma oportunidade de que essa prática possa ser replicada em outros estados”, disse.
Avaliação e impacto
A análise é conduzida pela chamada Casoteca, que reúne experiências consideradas eficazes no enfrentamento à violência. O objetivo é identificar soluções que já funcionam na prática e que possam ser adotadas em outros contextos. De acordo com a pesquisadora do fórum, Ariadne Natal, o foco vai além da teoria.
“Não basta olhar só para os dados. É importante identificar o que está dando certo e pode servir como resposta em outros contextos”, explicou.
Ela também destaca que a avaliação considera a capacidade de continuidade das ações.
“A gente observa se o projeto é efetivo, se tem continuidade e se pode ser reproduzido em outros lugares”, acrescentou.
A iniciativa do Amazonas surge em um contexto em que o enfrentamento à violência contra a mulher tem avançado, mas ainda enfrenta desafios — especialmente quando se trata das consequências para as famílias das vítimas.
Com Informações da Defensoria Pública do Estado do Amazonas
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






