O ministro Dias Toffoli deixou, nesta quinta-feira (12), a relatoria das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça foi sorteado para assumir o caso.
A decisão ocorreu após reunião com os integrantes da Corte, realizada um dia depois de a Polícia Federal encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com menções a Toffoli no âmbito da investigação.
Segundo fonte da Polícia Federal ouvida pela BBC News Brasil, o documento reúne “achados” relacionados ao ministro. A saída foi comunicada por meio de nota assinada pelos dez ministros do tribunal.
De acordo com o comunicado, Toffoli solicitou a redistribuição com base no Regimento Interno do STF. A Corte afirmou que ele atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro e é investigado por suspeitas de fraudes financeiras. Desde dezembro, o inquérito estava sob relatoria de Toffoli, cuja atuação passou a ser questionada após a divulgação de possíveis vínculos com pessoas ligadas ao banco.
Entre os investigados está o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro durante operação da Polícia Federal e atualmente em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
Segundo publicação da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o relatório da PF cita mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. Em 2021, a empresa vendeu cotas de um resort no Paraná a fundo ligado a Zettel.
Em nota, Toffoli confirmou que a Maridt é uma empresa familiar e que integra o quadro societário, mas afirmou não ter recebido valores de Vorcaro ou de seu cunhado.
Após a divulgação do caso, o partido Novo anunciou pedido de impeachment contra o ministro. A defesa de Vorcaro criticou o que classificou como vazamento seletivo de informações e defendeu o respeito ao devido processo legal.
O STF informou que não há fundamento para arguição de suspeição contra Toffoli e manifestou apoio institucional ao ministro. A Corte também determinou a remessa dos autos ao novo relator.
Polêmica envolvendo resort
Reportagens apontaram que irmãos de Toffoli foram sócios do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), entre 2020 e 2025, por meio da Maridt Participações. Parte das cotas foi vendida, em 2021, ao Fundo Arllen, ligado a Fabiano Zettel.
Em nota, o ministro informou que a empresa deixou o grupo Tayayá em duas etapas: em 27/09/2021 e em 21/02/2025, com alienação total da participação. Segundo ele, a ação sobre o Banco Master foi distribuída ao seu gabinete apenas em novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava o empreendimento.
Apesar da saída formal, reportagens indicam que Toffoli continuou frequentando o local. Levantamento do portal Metrópoles apontou que o ministro passou ao menos 168 dias no resort desde dezembro de 2022, com custo de R$ 548,9 mil em diárias de seguranças.
Atuação sob questionamentos
A relatoria de Toffoli passou a ser alvo de críticas desde dezembro, quando o caso chegou ao STF após recurso da defesa de Vorcaro. No período, o ministro participou de viagem ao Peru em avião de empresário ligado ao processo, colocou o inquérito sob sigilo e transferiu a investigação para a Corte.
Também geraram questionamentos a tentativa de promover acareação entre investigados e autoridade do Banco Central, a retenção inicial de provas no STF e a escolha de peritos para análise de material apreendido.
Em janeiro, pedido de afastamento do ministro foi arquivado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Com a redistribuição, André Mendonça passa a conduzir o inquérito sobre o Banco Master, incluindo os desdobramentos das investigações da Polícia Federal.
Com informações da BBC*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






