O encontro reuniu integrantes do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), lideranças indígenas, representantes de instituições públicas e autoridades municipais para discutir o deslocamento dos eleitores que vivem em comunidades acessíveis principalmente por rios.
Segundo a Univaja, as questões relacionadas ao fornecimento de combustível e ao apoio logístico foram resolvidas, permitindo a organização do transporte para a votação.
A reunião ocorreu após discussões sobre as dificuldades de deslocamento dos indígenas e a atuação da Justiça Eleitoral na região.
Univaja confirma combustível para transporte em todas as calhas de rio
O presidente da Univaja, Jaime da Silva Mayuruna, informou que as organizações indígenas se mobilizaram para conseguir o combustível necessário ao transporte dos eleitores.
A articulação ocorreu após uma reunião com servidores do Cartório Eleitoral de Atalaia do Norte.
De acordo com Mayuruna, todas as aldeias, nas diferentes calhas de rio da região, foram contempladas pela organização logística.
As lideranças também afirmaram que a população indígena de Atalaia do Norte conseguiu votar normalmente no primeiro turno das eleições de 2026.
Segundo os representantes, a abstenção nas comunidades indígenas apresentou índice semelhante ao registrado nas áreas urbanas do município, contrariando informações divulgadas anteriormente sobre dificuldades de participação eleitoral.
Para o segundo turno, a entidade reafirmou que o transporte está organizado.
Justiça Eleitoral solicita identificação das embarcações
A reunião foi conduzida pela juíza Dálethe Borges Messias, responsável pela 42ª Zona Eleitoral, que atende o município de Atalaia do Norte.
A magistrada solicitou que as organizações indígenas apresentem oficialmente a relação das embarcações previstas para o transporte dos eleitores no domingo (25).
O documento deverá identificar os responsáveis pelas embarcações e informar a participação de cada entidade ou órgão envolvido na operação.
Segundo o TRE-AM, as informações permitirão acompanhar e fiscalizar o transporte, observando as regras da legislação eleitoral.
Durante o encontro, a juíza também relatou que acompanhou pessoalmente a entrega das urnas eletrônicas nas comunidades de Paraíso e Remancinho durante o primeiro turno.
A magistrada mencionou ainda as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral para garantir o acesso à votação, incluindo o atendimento a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Univaja apresenta retratação à juíza eleitoral
Além das questões relacionadas ao transporte, a Coordenação Executiva da Univaja encaminhou um documento oficial à juíza Dálethe Borges Messias com uma retratação institucional e um pedido de desculpas à magistrada e ao Juízo da 42ª Zona Eleitoral.
No Ofício nº 071/UNIVAJA-2026, a entidade afirmou que não tinha conhecimento prévio nem havia autorizado o conteúdo e o encaminhamento de um documento elaborado anteriormente por sua Procuradoria Jurídica sobre o transporte eleitoral.
A organização classificou o episódio como uma iniciativa isolada, realizada sem observar os procedimentos internos de deliberação e aprovação.
A Univaja informou que determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar responsabilidades e avaliar as medidas cabíveis.
O documento, assinado por Jaime da Silva Mayuruna, também reafirma o respeito da organização à magistratura, ao Poder Judiciário e à Justiça Eleitoral.
A entidade reiterou o pedido de desculpas pelos transtornos e constrangimentos relacionados ao episódio e manifestou confiança no trabalho desenvolvido pela 42ª Zona Eleitoral.
Planejamento para próximas eleições deverá considerar rotas fluviais
Outro encaminhamento da reunião foi a necessidade de organizar, com antecedência, as informações sobre o transporte de eleitores indígenas nos próximos pleitos.
Entre os dados que deverão ser apresentados estão:
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Localização das comunidades e dos locais de votação;
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Rotas fluviais utilizadas pelos eleitores;
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Distâncias entre as aldeias e as seções eleitorais;
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Condições de navegabilidade dos rios;
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Estimativa de eleitores que precisarão de transporte;
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Quantidade de embarcações disponíveis;
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Identificação das tripulações responsáveis.
Essas informações deverão subsidiar o planejamento da Justiça Eleitoral, incluindo a eventual requisição de embarcações e a definição de trajetos e horários.
A organização antecipada também deverá considerar as condições geográficas do Vale do Javari, onde o deslocamento entre comunidades pode exigir viagens fluviais.
Ministério Público Eleitoral acompanha organização do transporte
O promotor eleitoral Miguel Ângelo destacou que a responsabilidade pela organização do transporte de eleitores é da Justiça Eleitoral.
Ele explicou, no entanto, que associações civis, instituições públicas e outros órgãos podem colaborar com a logística, desde que sejam respeitadas as normas eleitorais.
Também participaram da reunião a juíza auxiliar da Presidência do TRE-AM, Mônica Câmara; a diretora-geral do Tribunal, Cynthya Edwards; e o assessor de Gestão de Eleições, Marcelo Sussuarana Lira.
O encontro contou ainda com representantes do Ministério Público Eleitoral, da Prefeitura de Atalaia do Norte, da Câmara Municipal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de organizações indígenas.
Ao final, o TRE-AM informou que o Cartório Eleitoral de Atalaia do Norte continuará recebendo as demandas apresentadas pelas comunidades indígenas.
A ata da reunião e o documento de retratação da Univaja foram mencionados pelo Tribunal como registros oficiais do encontro.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






