A pressão sobre Gianni Infantino na presidência da Fifa ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (10). Uefa, Concacaf e AFC divulgaram uma carta conjunta dirigida à chamada “família do futebol” e fizeram críticas à condução da entidade máxima do esporte.
No documento, as três confederações afirmam que o futebol “não pertence a nenhum indivíduo ou instituição” e questionam a forma como decisões recentes foram conduzidas. As entidades também apontam uma ruptura na relação de confiança com a direção da Fifa.
“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – nem de exigir – o poder para o deter. É um dever de serviço para com a família do futebol que a confia”, protestaram as confederações.
Críticas à gestão da Fifa
O posicionamento ocorre após uma série de reações negativas contra iniciativas defendidas pela atual gestão. Entre os episódios está a oposição ao projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que teria participação nos direitos comerciais de competições da entidade.
A proposta previa a venda de 20% da empresa a investidores externos e tinha potencial de arrecadação de até 4,2 bilhões de dólares. Uefa, Concacaf e AFC se posicionaram contra a iniciativa.
Na carta, as confederações também questionam a maneira como a proposta foi apresentada e defendem que decisões dessa dimensão sejam submetidas a um processo de consulta mais amplo.
Pressão aumenta sobre Infantino
Gianni Infantino enfrenta resistência crescente de federações nacionais e entidades continentais. Na Europa, a Federação Inglesa de Futebol e a Associação de Futebol do País de Gales retiraram o apoio ao dirigente, enquanto a Federação da Noruega passou a defender sua saída da presidência da Fifa.
Representantes da Concacaf e da AFC também demonstraram insatisfação com a condução da entidade. O cenário representa uma das maiores crises políticas enfrentadas pela Fifa desde que Infantino assumiu a presidência, em 2016.
Pedido por investigação independente
Outro ponto destacado pelas confederações é a forma como a Fifa pretende analisar os acontecimentos recentes. As entidades defendem que a apuração seja conduzida por uma organização independente, sem participação da administração da própria Fifa.
No documento, Uefa, Concacaf e AFC afirmam que uma análise sobre possíveis falhas de governança não deveria ficar sob responsabilidade de integrantes da entidade diretamente envolvidos nos acontecimentos.
As confederações também cobram a preservação de documentos e registros relacionados ao episódio e questionam uma reunião realizada no Marrocos, da qual participaram integrantes da estrutura administrativa da Fifa, sem a presença de membros do Conselho da entidade ou das federações-membro.
“A força do futebol sempre residiu na sua unidade”
Ao longo da carta, as três confederações reforçam que o problema, segundo elas, não está relacionado apenas a questões financeiras, mas à forma como a liderança da entidade tem sido exercida.
O documento também defende que decisões sobre competições, distribuição de recursos e outros temas estruturais sejam construídas de maneira coletiva entre Fifa, confederações e federações nacionais.
Ao final, as entidades afirmam que a união entre os diferentes setores do futebol deve ser preservada e defendem uma liderança voltada à gestão coletiva do esporte.
“A força do futebol sempre residiu na sua unidade. Apelamos a que essa unidade seja agora respeitada e a que haja uma liderança que sirva o futebol, em vez de procurar dominá-lo.”
Por Victoria Medeiros, da redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Harry Langer/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images






