Dez anos depois de uma noite histórica no Maracanã, os jogadores que fizeram parte da primeira conquista do ouro olímpico do futebol masculino brasileiro seguiram caminhos diferentes. Alguns continuam em atividade, outros encerraram a carreira e há ainda quem tenha migrado para novas funções no esporte.
A decisão contra a Alemanha aconteceu em 20 de agosto de 2016 e terminou empatada por 1 a 1 após o tempo regulamentar e a prorrogação. Nos pênaltis, Weverton defendeu a cobrança de Petersen, enquanto Neymar converteu a última tentativa brasileira e confirmou o título diante de mais de 63 mil torcedores.
A conquista encerrou uma longa espera do futebol masculino brasileiro nos Jogos Olímpicos. Antes daquele torneio, a seleção havia conquistado duas pratas e dois bronzes, mas nunca havia terminado a competição no primeiro lugar.
Um elenco marcado por mudanças
A lista inicialmente planejada pelo técnico Rogério Micale sofreu alterações antes mesmo do início dos Jogos. Fred, Fernando Prass e Douglas Costa foram cortados, abrindo espaço para outros jogadores.
Fred não foi liberado pelo Shakhtar Donetsk, enquanto Fernando Prass sofreu uma fratura no cotovelo direito. Douglas Costa, por sua vez, teve uma lesão na coxa esquerda.
As mudanças acabaram sendo importantes para a campanha. Weverton assumiu o gol e se tornou um dos personagens da final, enquanto Renato Augusto entrou no grupo para ocupar uma das vagas destinadas aos jogadores acima da idade olímpica.
Weverton segue nos gramados
Aos 38 anos, Weverton continua atuando profissionalmente. O goleiro deixou o Palmeiras após oito temporadas e iniciou 2026 como reforço do Grêmio, clube com o qual assinou contrato até 2028.
Foi pelo Palmeiras que o jogador construiu a maior parte de sua trajetória recente e conquistou diversos títulos. No Rio de Janeiro, porém, foi a defesa na disputa por pênaltis contra a Alemanha que o colocou definitivamente na história olímpica brasileira.
Uilson mudou de profissão
Reserva de Weverton durante os Jogos de 2016, Uilson não entrou em campo na campanha do ouro. O goleiro, então promessa do Atlético-MG, teve a carreira prejudicada por uma sequência de lesões e deixou os gramados em 2020.
Depois da aposentadoria, passou a trabalhar como professor de goleiros.
Zagueiros seguiram caminhos distintos
Luan, que defendia o Vasco quando foi convocado, construiu uma trajetória de destaque no Palmeiras. Foram oito temporadas pelo clube paulista e 12 títulos conquistados. Desde 2024, o zagueiro atua no Toluca, do México, onde conquistou a Copa dos Campeões da Concacaf nesta temporada.
Já Rodrigo Caio encerrou a carreira após disputar suas últimas partidas pelo Grêmio, em 2024. No ano seguinte, integrou a comissão técnica do Flamengo como auxiliar de Filipe Luís, mas deixou a função após a saída do treinador. Atualmente, também teve experiências como comentarista.
Outro integrante da defesa, Marquinhos, permanece em alto nível. O zagueiro está em sua 14ª temporada no Paris Saint-Germain, onde acumulou títulos importantes, incluindo duas conquistas da Liga dos Campeões. Ele também esteve entre os titulares da Seleção Brasileira na Copa do Mundo mais recente.
Laterais também tomaram rumos diferentes
Douglas Santos continua no futebol russo. O lateral-esquerdo, que passou por Náutico e Atlético-MG, está em sua oitava temporada consecutiva no Zenit e também integrou a convocação brasileira para a Copa do Mundo.
Zeca, revelado pelo Santos, atualmente defende o Athletic e é titular da equipe na disputa da Série B. Depois de deixar o clube paulista, passou por outras equipes brasileiras e também pelo Houston Dynamo, dos Estados Unidos.
Pelo lado direito, William deixou o Internacional após um período de desgaste interno e seguiu para o futebol alemão. Depois de quatro temporadas no país, voltou ao Brasil e passou a defender o Cruzeiro, onde permanece.
Meio-campo reúne aposentadorias e carreiras internacionais
Rafinha Alcântara encerrou a carreira no fim de 2025. O meia, que passou por Barcelona, Inter de Milão, Paris Saint-Germain e Al-Arabi, decidiu deixar os gramados após uma grave lesão no joelho. Atualmente, trabalha como sócio de uma empresa de consultoria de investimentos e proteção patrimonial.
Rodrigo Dourado, formado pelo Internacional, deixou o clube em 2022 para atuar no futebol mexicano. Desde então, passou por Atlético San Luis e Club América e atualmente defende o Juárez por empréstimo.
Walace, convocado após a ausência de Fred, também seguiu carreira fora do país antes de retornar ao futebol brasileiro. Formado pelo Grêmio, conquistou a Copa do Brasil de 2016 e posteriormente passou por clubes da Alemanha e da Itália. Desde 2024 pertence ao Cruzeiro e atualmente está emprestado ao Vitória.
Aos 29 anos, Thiago Maia é outro jogador da geração que permanece em atividade. Revelado pelo Santos, o volante está novamente no Internacional e possui contrato com o clube até o fim da temporada.
Felipe Anderson, por sua vez, construiu grande parte da carreira na Europa. Revelado pelo Santos, deixou o Brasil em 2013 para defender a Lazio. Depois de uma década no futebol europeu, retornou ao país em 2024 e foi contratado pelo Palmeiras.
Neymar continua como principal símbolo daquela geração
Aos 34 anos, Neymar permanece como um dos principais nomes daquela equipe campeã em 2016. O atacante atualmente defende o Santos e também esteve em sua quarta Copa do Mundo.
Na campanha olímpica, o camisa 10 assumiu a responsabilidade de cobrar o último pênalti contra a Alemanha. A bola balançou as redes e confirmou a conquista inédita para o futebol masculino brasileiro.
A participação nos Jogos do Rio teve ainda um significado especial para Neymar. Para disputar o torneio, ele não participou da Copa América Centenário, realizada nos Estados Unidos, já que o Barcelona não o liberaria para as duas competições.
Renato Augusto também deixou os gramados
Um dos jogadores acima da idade olímpica naquele elenco, Renato Augusto encerrou a carreira em setembro de 2025, meses depois de rescindir contrato com o Fluminense.
Revelado pelo Flamengo e com passagens marcantes pelo Corinthians, o meia também defendeu a Seleção Brasileira em outras competições. Após pendurar as chuteiras, passou a integrar a equipe de comentaristas esportivos da Globo.
Ataque reúne ídolos e diferentes trajetórias
Gabriel Barbosa, o Gabigol, continua em atividade e vive mais um capítulo de sua história com o Santos. O atacante alcançou recentemente a marca de 100 gols pelo clube em sua terceira passagem pela equipe.
Depois dos Jogos de 2016, Gabigol foi vendido à Inter de Milão. A experiência na Itália não teve o mesmo impacto de sua passagem pelo Flamengo, onde se tornou um dos principais jogadores da história recente do clube. Também passou pelo Cruzeiro e atualmente está emprestado ao Santos até o fim da temporada.
Gabriel Jesus também construiu uma carreira internacional de destaque. Revelado pelo Palmeiras, foi negociado com o Manchester City durante os Jogos Olímpicos de 2016. Depois de cinco temporadas no clube inglês, passou a defender o Arsenal.
O atacante acumula títulos da Premier League e disputou as Copas do Mundo de 2018 e 2022.
Luan segue fora dos gramados
O atacante Luan, campeão olímpico em 2016, está há duas temporadas sem disputar uma partida oficial. O jogador teve seu melhor momento no Grêmio, clube pelo qual conquistou a Libertadores de 2017 e foi eleito Rei da América.
Depois de passagens por Corinthians, Santos e um retorno ao Grêmio, teve o Vitória como último clube profissional, em 2024. Apesar de não ter anunciado oficialmente a aposentadoria, atualmente é tratado como ex-jogador em atividade.
Uma década depois
A geração responsável pelo primeiro ouro olímpico do futebol masculino brasileiro tomou diferentes caminhos após a conquista no Rio. Alguns permaneceram no alto nível, outros passaram a atuar em novas funções e alguns encerraram definitivamente a carreira.
O título de 2016, porém, permanece como um marco comum para os jogadores que fizeram parte daquela campanha. No Maracanã, diante da Alemanha, o Brasil finalmente transformou a busca pelo ouro olímpico em uma conquista histórica.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Roberto Castro/Brasil2016






