21 de abril relembra Tiradentes, executado em 1792 e transformado em símbolo da República

Data nacional marca a trajetória do inconfidente e a construção histórica de sua imagem como herói brasileiro

O feriado de 21 de abril, celebrado em todo o país, marca a morte de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, executado em 1792 por participação na Inconfidência Mineira. A data foi oficializada como feriado nacional em 1890, consolidando o personagem como um dos principais símbolos da história do Brasil.

Integrante de um movimento de caráter anticolonial, Tiradentes defendia a independência da então capitania de Minas Gerais e a implantação de um regime republicano, em oposição ao domínio da Coroa portuguesa. O levante, no entanto, foi denunciado antes de ser colocado em prática, resultando na prisão dos envolvidos.

Entre os participantes, Tiradentes foi o único condenado à morte. Ele foi enforcado no Rio de Janeiro, aos 45 anos, e teve o corpo esquartejado, com partes expostas em locais públicos como forma de punição exemplar.

Ao longo do tempo, a imagem do inconfidente passou por um processo de construção simbólica. Sem registros visuais da época, representações artísticas criaram uma figura idealizada, frequentemente associada a elementos religiosos. O historiador André Figueiredo Rodrigues explica essa lacuna.

“Um herói sem rosto. Sem qualquer registro ou retrato verídico, artistas e escritores criaram suas próprias versões de como ele poderia ser”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a consolidação dessa imagem ganhou força no fim do século XIX, especialmente após a Proclamação da República, quando Tiradentes passou a ser retratado com características semelhantes às de Jesus Cristo.

“Para se tornar um personagem respeitado, era fundamental que visualmente ele apresentasse barba e bigode”, explicou.

Apesar da construção simbólica, estudos históricos apontam que Tiradentes teve uma trajetória comum para a época. Ele atuou como militar, comerciante, minerador e também exercia atividades ligadas à extração dentária, origem do apelido pelo qual ficou conhecido.

Durante o período em que esteve preso, o inconfidente prestou diversos depoimentos e não acusou outros envolvidos.

“Tiradentes foi um homem comum como vários outros que viveram no Brasil colonial”, destacou o historiador.

A oficialização do feriado e o reconhecimento como patrono cívico, estabelecido por lei em 1965, reforçam o papel simbólico de Tiradentes na construção da identidade nacional e na valorização de movimentos que antecederam a independência do país.

Com Informações do G1, Toda Matéria e UOL

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus