Anistia Internacional acusa EUA, Israel e Rússia de enfraquecer sistema global de direitos humanos

Relatório avalia 144 países e aponta aumento de violações, conflitos e pressão sobre o direito internacional

A Anistia Internacional, organização não governamental que atua na defesa dos direitos humanos e monitora violações em diferentes países, acusou Estados Unidos, Israel e Rússia de promoverem ataques ao sistema multilateral e ao direito internacional, segundo relatório anual divulgado nesta terça-feira, 21. O documento “A situação dos direitos humanos no mundo” analisa o cenário em 144 países e aponta avanço de conflitos e violações em diferentes regiões.

De acordo com a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, há um movimento de enfraquecimento das estruturas globais.

“Os predadores políticos e econômicos estão sentenciando o fim do sistema multilateral, não porque ele seja ineficaz, mas porque não está a serviço de sua hegemonia e controle”, afirmou.

Ela também defendeu mudanças no modelo atual.

“A resposta não é proclamar que o sistema é uma quimera, mas enfrentar seus fracassos e transformá-lo para que seja capaz de defender todas as pessoas com a mesma determinação”, declarou.

O relatório destaca que Israel mantém ações militares em Gaza, mesmo após acordos de cessar-fogo, e aponta expansão de assentamentos na Cisjordânia.

“As autoridades israelenses têm permitido ou incentivado ataques de colonos contra a população palestina, com impunidade”, afirma o documento.

Em relação aos Estados Unidos, a Anistia afirma que houve execuções extrajudiciais e uso da força em operações internacionais, além de ações classificadas como violações à Carta das Nações Unidas. O relatório também menciona impactos de conflitos envolvendo o Irã e outros países do Oriente Médio, com reflexos sobre civis e infraestrutura.

Na Europa, a organização aponta que a Rússia intensificou ataques aéreos contra infraestruturas civis na Ucrânia. O documento também critica a atuação de países europeus, que, segundo a entidade, não adotaram medidas suficientes para conter violações ao direito internacional.

No Brasil, o relatório destaca a violência policial como um dos principais problemas. A entidade cita operações realizadas no Rio de Janeiro em 2025, com alto número de mortes.

“O episódio integra um padrão histórico de policiamento letal que afeta de forma desproporcional comunidades negras e periféricas”, aponta.

A organização também menciona o aumento de casos de violência de gênero e ataques contra pessoas LGBTI, além de cobrar avanços na proteção de direitos e na implementação de políticas públicas.

“A Anistia Internacional apela ao Brasil para que adote medidas efetivas de responsabilização e garanta os direitos humanos sem discriminação”, conclui o relatório.

Com Informações da Agência Brasil

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus