O contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos, durante ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), composta pela Polícia Federal do Brasil e pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
A prisão é um desdobramento da Operação Libertatis II, investigação que apura a atuação de uma organização criminosa ligada à fabricação e comercialização ilegal de cigarros no estado do Rio de Janeiro e em outras unidades da federação.
Adilsinho estava foragido desde a deflagração da operação, em março de 2025, quando a Justiça Federal expediu mandados de prisão preventiva contra integrantes do grupo investigado. Contra ele havia cinco mandados em aberto, sendo quatro por homicídio e um por organização criminosa.
Na residência onde o contraventor foi localizado, também foi preso o policial militar Diego Darribada Rebello de Lima, apontado pelas investigações como integrante da equipe de segurança do investigado. A ação contou com apoio do Serviço Aeropolicial.
Investigação começou em 2023
As apurações tiveram início em fevereiro de 2023, após a descoberta de três fábricas clandestinas de cigarros falsificados. Nos locais, agentes encontraram trabalhadores paraguaios em condições análogas à escravidão, ampliando o foco da investigação para crimes como tráfico internacional de pessoas.
Segundo a Polícia Federal, o grupo operava de forma estruturada, com núcleos responsáveis pela produção, logística, fornecimento de insumos e exploração de mão de obra estrangeira. A organização também mantinha células de segurança com participação de agentes públicos, incluindo policiais militares, bombeiros, um policial federal e um policial rodoviário federal.
Os lucros obtidos com o comércio clandestino eram posteriormente lavados e enviados ao exterior, caracterizando crimes financeiros e evasão de divisas.
Operação Libertatis II
Na fase ostensiva da operação, deflagrada em março de 2025, foram cumpridos 21 mandados de prisão preventiva, 26 mandados de busca e apreensão e 12 medidas cautelares. A Justiça determinou ainda o bloqueio e sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 350 milhões, incluindo imóveis, veículos, criptomoedas e valores em contas bancárias.
As ações ocorreram em diversas cidades do Rio de Janeiro e também no Espírito Santo, indicando atuação interestadual da organização.
Monitoramento e prisão
De acordo com os investigadores, Adilsinho foi monitorado por cerca de dois meses e adotava estratégia de mudança constante de imóveis alugados para evitar localização. Ele também realizava deslocamentos frequentes para regiões de fronteira, principalmente nos estados do Paraná e Mato Grosso, onde buscaria fornecedores do mercado ilegal de cigarros.
Após a prisão, o investigado foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro e encaminhado ao sistema prisional.
Atuação criminosa investigada
Segundo a PF, Adilsinho é apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e considerado o principal produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. As investigações indicam ainda ligação com operação de cassino on-line clandestino que teria movimentado cerca de R$ 130 milhões em três anos.
Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, crimes contra a saúde pública, fraude no comércio, sonegação fiscal, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






