EUA enviam bombardeiros à base no Reino Unido após liberação para operações contra o Irã

Aeronaves B-1B chegam à base de Fairford após semanas de tensão entre Washington e Londres sobre o uso de instalações militares no conflito com o Irã
Foto: Toby Melville/Reuters

Bombardeiros dos Estados Unidos chegaram à base aérea de Fairford, em Gloucestershire, no centro da Inglaterra, após o governo britânico autorizar o uso da instalação em operações relacionadas ao conflito com o Irã.

Pelo menos quatro aeronaves B-1B pousaram no local durante o fim de semana. Os bombardeiros supersônicos foram acompanhados por cargueiros militares C-17 que transportavam munição e equipamentos de apoio.

As aeronaves devem ser utilizadas em ataques contra alvos iranianos com armamentos de precisão. A base de Fairford é utilizada por forças americanas desde a Segunda Guerra Mundial e funciona como ponto de apoio europeu para missões de bombardeiros e patrulha global.

Impasse entre Estados Unidos e Reino Unido

A chegada das aeronaves ocorre após semanas de tensão entre Washington e Londres.

O governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, havia vetado o uso da base de Fairford e da base estratégica de Diego Garcia, no oceano Índico, para missões de ataque contra o Irã.

A decisão gerou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que criticou publicamente o aliado em declarações e publicações nas redes sociais.

Em conflitos anteriores liderados pelos Estados Unidos, o Reino Unido costumava apoiar as operações militares. O governo britânico tentou evitar envolvimento direto no atual confronto.

A posição de Starmer ocorre em meio ao histórico político da participação britânica na invasão do Iraque em 2003, apoiada pelo então primeiro-ministro Tony Blair.

Autorização para uso das bases

Após pressão diplomática, o governo britânico anunciou na semana passada que permitiria o uso de bases militares para o que classificou como “ataques defensivos”.

No domingo (8), Trump e Starmer conversaram por telefone. Após a conversa, os primeiros bombardeiros americanos começaram a chegar à base de Fairford.

O B-1B é utilizado em missões de ataque de longo alcance e pode transportar grande volume de armamentos de precisão.

Os Estados Unidos ampliaram as operações militares após declarações de Trump na sexta-feira (6), quando o presidente exigiu a rendição do Irã e anunciou aumento da intensidade dos ataques.

Israel participa das operações ao lado dos Estados Unidos desde o início do conflito. Segundo informações divulgadas pelas autoridades israelenses, cerca de 200 aviões foram usados na primeira etapa de ataques.

Com a entrada do grupo libanês Hezbollah no conflito em apoio ao Irã, Israel também passou a bombardear alvos no Líbano.

Retaliação iraniana no Golfo

Ataques iranianos continuaram ao longo do fim de semana em países do Golfo Pérsico.

No sábado (8), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas aos países vizinhos pelas ações militares. A declaração foi contestada por integrantes das forças armadas iranianas, que afirmaram considerar alvos legítimos os países que hospedam bases americanas.

Um dos principais focos das ações iranianas são os Emirados Árabes Unidos.

No sábado, drones lançados pelo Irã quase atingiram o aeroporto local. Helicópteros foram usados em operações de defesa para interceptar aeronaves não tripuladas.

Incidentes na região

Os ataques também foram registrados em outros pontos da região durante o fim de semana.

No Kuwait, um arranha-céu foi atingido e pegou fogo após um ataque.

Os episódios ocorrem em meio à ampliação das operações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e à participação de aliados regionais no conflito.


Com informações da Folha de São Paulo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus