Sobrecarga emocional afasta mulheres do trabalho e acende alerta para saúde mental, aponta especialista

Mulheres representam 64% dos afastamentos por questões psicológicas no país e enfrentam acúmulo de funções no dia a dia

Assumir múltiplos papéis ao mesmo tempo, como profissional, mãe e responsável pelas demandas da casa, tem impactado diretamente a saúde mental das mulheres no Brasil. O cenário é apontado por especialistas como um dos principais fatores por trás do aumento de afastamentos do trabalho relacionados a transtornos emocionais.

De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, em 2025, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados por questões de saúde mental no país. Desse total, 64% são mulheres. Segundo a psicóloga e especialista em saúde mental, Maria do Carmo Lopes, o acúmulo de responsabilidades ainda é uma realidade presente na rotina feminina.

“A sociedade ainda atribui à mulher a responsabilidade de cuidar da casa, educar os filhos e, ao mesmo tempo, manter uma carreira profissional. Esse conjunto de exigências pode levar ao esgotamento físico e emocional”, explica.

Esse desgaste pode se manifestar de diferentes formas e, muitas vezes, de maneira gradual. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade de concentração, insônia e negligência com o próprio autocuidado.

“A sobrecarga começa de forma silenciosa, mas tende a se agravar com o tempo. Muitas mulheres só percebem quando os sintomas já estão mais intensos”, destaca a especialista.

Além dos impactos emocionais, a sobrecarga também afeta a identidade pessoal. De acordo com Maria do Carmo, ao priorizar constantemente as demandas externas, muitas mulheres acabam deixando de lado as próprias necessidades.

“Existe um risco de a mulher se colocar em segundo plano. Ela passa a funcionar no automático, o que pode gerar estresse, ansiedade e sensação de insatisfação constante”, afirma.

Sinais de alerta

Apesar de nem sempre ser visível, a sobrecarga mental costuma apresentar sinais claros. Entre os sintomas físicos estão cansaço persistente, dores de cabeça, tensão muscular, alterações no sono e no apetite.

No campo emocional, podem surgir irritação, tristeza, apatia e ansiedade. Já os impactos cognitivos incluem esquecimentos frequentes, dificuldade na tomada de decisões e queda na produtividade. Também há reflexos no comportamento, como isolamento social e aumento da autocrítica.

“A mulher passa a sentir que não consegue dar conta das tarefas e começa a se cobrar de forma excessiva”, pontua a psicóloga.

Como reduzir os impactos

Para minimizar os efeitos da sobrecarga, a especialista recomenda mudanças na rotina, com foco na organização e na divisão de responsabilidades.

“Delegar funções, tanto em casa quanto no trabalho, é fundamental. Também é importante reconhecer os próprios limites e aprender a dizer não, sem culpa”, orienta.

A adoção de hábitos de autocuidado também é apontada como essencial. Entre as medidas estão a prática de atividades físicas, pausas ao longo do dia, manutenção de relações sociais e acompanhamento psicológico.

“Cuidar da saúde mental precisa ser uma prioridade. Buscar terapia e investir no autoconhecimento são passos importantes para melhorar a qualidade de vida”, destaca.

Com Informações da Três Comunicação e Marketing

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus