Os Estados Unidos anunciaram que iniciarão um bloqueio naval direcionado a portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília. A medida ocorre após o fracasso das negociações entre o governo americano e o Irã no fim de semana.
A decisão provocou reação imediata nos mercados internacionais. O preço do petróleo voltou a subir, com o barril do tipo Brent ultrapassando US$ 100, alta superior a 7%, impulsionada por temores sobre o fornecimento global de energia.
O presidente Donald Trump afirmou, no domingo, que determinou ações para interceptar embarcações ligadas ao Irã. Em publicação, disse ter instruído a Marinha a abordar navios que tenham pago pedágio ao governo iraniano para atravessar o estreito de Ormuz.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o bloqueio será restrito a embarcações que entrem ou saiam de portos iranianos. Navios com destino a outros países não serão impedidos de transitar pela região.
Reação do Irã e tensão no estreito
As Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informaram que qualquer embarcação militar que se aproxime do estreito será considerada em violação do cessar-fogo e poderá ser alvo de resposta.
Em comunicado, autoridades iranianas afirmaram que o estreito permanece aberto para embarcações não militares, sob controle do país, e que as restrições se aplicam conforme regulamentações internas.
Desde o início do conflito, o Irã tem realizado bloqueio seletivo da rota, permitindo a passagem apenas de navios considerados alinhados ou que tenham pago taxas para transitar.
Fluxo de embarcações e impacto limitado
Dados do Joint Maritime Information Centre indicam que ao menos 60 embarcações passaram pelo estreito desde o anúncio de cessar-fogo na semana passada, média de cerca de 10 por dia. Antes do conflito, o fluxo diário chegava a aproximadamente 138 navios.
O especialista em transporte marítimo Lars Jensen avalia que o impacto direto da medida americana tende a ser limitado. Segundo ele, o volume atual de navios na rota é reduzido e apenas uma parcela pequena estaria sujeita às restrições anunciadas.
Negociações fracassadas
As negociações entre Estados Unidos e Irã foram conduzidas com mediação no Paquistão. Segundo Trump, houve avanço em diversos pontos, mas não houve acordo sobre o programa nuclear iraniano.
O presidente afirmou que o Irã não demonstrou disposição para abrir mão de suas atividades nucleares e disse esperar que o país retome as negociações.
Pelo lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a delegação apresentou propostas, mas não houve confiança suficiente para um acordo. Ele declarou que o país não aceitará pressões externas.
Importância estratégica do estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passava pela região.
A via conecta produtores do Oriente Médio a mercados da Ásia, Europa e América do Norte. Países como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos utilizam o estreito para exportação.
A rota também é relevante para o transporte de gás natural liquefeito e fertilizantes, além da entrada de alimentos e medicamentos no Oriente Médio.
Desde o início da crise, o fluxo caiu para cerca de cinco a seis navios por dia, redução próxima de 95% em relação ao período anterior ao conflito.
A instabilidade na região tem impacto direto nos preços internacionais de energia e nas cadeias de abastecimento globais.
Com informações do G1*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






