Guerra no Oriente Médio derruba previsão global para 2,5% e eleva projeção do Brasil para 1,9%

Relatório aponta impacto da crise no petróleo e alerta para inflação e juros mais altos no mundo

O Fundo Monetário Internacional reduziu a previsão de crescimento da economia global para 2,5% em 2026, segundo relatório divulgado nesta terça-feira, 14. A revisão está ligada aos efeitos da guerra no Oriente Médio, que tem afetado a oferta mundial de energia.

A nova projeção é menor que a estimativa anterior de 3,1%, considerada em um cenário com menor duração do conflito e menos impacto no fornecimento de petróleo. De acordo com o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, o cenário pode piorar caso as tensões continuem.

“A cada dia que temos mais interrupções no fornecimento de energia, estamos nos aproximando de um cenário adverso”, afirmou.

A principal preocupação é o aumento no preço do petróleo, provocado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Esse movimento pode pressionar a inflação global e levar à alta dos juros em diversos países.

Para o Brasil, o Fundo elevou a projeção de crescimento para 1,9% em 2026, um avanço de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior. O resultado leva em conta o fato de o país ser exportador de petróleo, o que pode gerar impacto positivo.

“A guerra deve ter um pequeno efeito positivo em 2026, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual”, informou o relatório.

Mesmo assim, a projeção ainda fica abaixo do crescimento registrado em 2025, quando o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A estimativa também está acima da projeção do Banco Central do Brasil, que prevê crescimento de 1,6%, e próxima da expectativa do mercado financeiro, de 1,85%.

Para 2027, o Fundo reduziu a previsão de crescimento do Brasil para 2%, refletindo um cenário global mais lento, com custos mais altos e crédito mais restrito. O relatório destaca que fatores como reservas internacionais elevadas, menor dependência de dívida em moeda estrangeira e câmbio flexível ajudam o país a enfrentar impactos externos. No cenário global, o alerta é de aumento da inflação e maior pressão sobre o crédito, o que pode afetar empresas e consumidores.

“Quanto mais tempo o conflito durar, maior será o risco de que as condições financeiras globais se tornem mais restritivas”, informou o Fundo.

Com Informações da Reuters

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus