A floresta mais rica do planeta está no caminho da BR-319, aponta levantamento

Estudo destaca que rodovia atravessa uma das áreas mais biodiversas da Terra e especialistas alertam para riscos de avanço do desmatamento na região

A região cortada pela BR-319 concentra algumas das maiores riquezas naturais do planeta. Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçou que a Amazônia abriga a maior biodiversidade do mundo e colocou novamente em evidência o debate sobre os impactos ambientais relacionados à reconstrução da rodovia que liga Manaus a Porto Velho.

Os dados fazem parte do mapa-múndi comemorativo “Riqueza de Espécies 2025”, lançado pelo IBGE neste mês. O estudo mostra que a Amazônia possui a maior concentração de espécies de animais do planeta, incluindo anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce.

Ao cruzar o traçado da BR-319 com as áreas de maior biodiversidade identificadas pelo levantamento, pesquisadores observaram que a estrada atravessa justamente uma das regiões mais preservadas e biologicamente ricas da Amazônia brasileira.

A rodovia foi construída durante a década de 1970 e acabou abandonada nos anos 1990. Nos últimos anos, o debate sobre a recuperação da estrada voltou à pauta nacional devido à importância logística da ligação terrestre entre Amazonas e Rondônia.

Especialistas ouvidos em estudos e reportagens sobre a região alertam que a abertura de novas frentes de ocupação ao longo da rodovia pode aumentar a pressão sobre áreas de floresta ainda preservadas.

Segundo pesquisadores, a expansão de atividades humanas em regiões remotas costuma favorecer processos de desmatamento, ocupação irregular do território e degradação ambiental. O pesquisador Mario Cohn-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), destaca que a preservação das áreas florestais é fundamental para a sobrevivência de milhares de espécies.

“Desmatar ou degradar a floresta significa matar os bichos que vivem lá dentro, diretamente ou indiretamente. Uma mata aberta ou fragmentada é muito ruim para a sobrevivência dessas espécies”, afirmou.

A preocupação ganha ainda mais relevância em um momento em que cientistas de diversas partes do mundo alertam para a perda acelerada da biodiversidade global e para o aumento do número de espécies ameaçadas de extinção.

O levantamento também destaca que a região cortada pela BR-319 está entre as últimas grandes áreas contínuas de floresta intacta da Amazônia brasileira, desempenhando papel importante para a manutenção dos ecossistemas, do regime de chuvas e do equilíbrio climático.

Pesquisadores apontam que, mesmo quando ocorre regeneração natural após o desmatamento, a floresta dificilmente recupera completamente suas características originais, o que pode afetar espécies animais, vegetação e cursos d’água. O estudo reforça ainda a importância das políticas de conservação e do monitoramento ambiental em áreas consideradas estratégicas para a preservação da biodiversidade amazônica.

Enquanto o debate sobre o futuro da BR-319 continua, os dados do IBGE evidenciam que a rodovia atravessa uma das regiões mais importantes do planeta para a conservação da vida silvestre, colocando em discussão os desafios de conciliar desenvolvimento, infraestrutura e proteção ambiental na Amazônia.

 

Com Informações da InfoAmazonia e do IBGE

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus